Ocanajaíma: onde o vento faz a curva

Por Zigano Zigano

Sobre o livro

Reticente com estas orelhas, que podem concorrer para se ouvir mal o que melhor se escuta com os pés, voz-camiescuta caminhonho: Sob os passos andarilhos desses versosvidas, há uivos, assobios, assombros, prosaísmos e, sobretudo, silêncios.

Há flamencos e tambores africanos, terras nativas de quem tem lar no desterro. Nas fronteiras descortinam-se cães, zigue-zagues, matérias duramente rarefeitas e, nas encruzilhadas, retornam pássaros assombrando mistérios a nos esbofetearem a percepção.

Par ou ímpar cooperam, o jogo da velha é completude, o indivíduo é perfeitamente de(s)marcado, em antepassados e ancestrais gigantescos… recriados…

Poesia-medicina para a doença que insiste em diluir a existência chamando vida ao vazio, sem mirar o látego germinativo dos cemitérios que acordam o invisível num imenso inominável, em que tudo o que vive e morre dança diante do espelho transparente da poesia de Ocanajímia!

Conheci Zigano antes de nos reconhecermos entre anarquistas, mendigos visionários ou minotauros cretinos.

Nos entusiasmos dionisíacos, angústias sem vivos ou mortos, passos mendicantes na fome, na sede, no frio, subindo e descendo pela voz-fumaça dos avôs, escrevendo a vida com os pés e as mãos da experiência, recriamos mundos no mundo pela poesia.

E nos embriagamos na música do silêncio, da harmonia, ritmo e melodia desta jornada poética forjante de indivíduos em comunidade de parteiras e catacumbas. Alguém aí? Resta alguém aí? O quê? Já não importa!

Por Tiago Rintrah

Instagram do autor: @tarot_medicina

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