Sobre o livro
O Veneno da Lagarta é um romance inspirado em fatos reais.
Tudo acontece a partir de outubro de 1963, poucos meses antes de ocorrer o golpe militar no Brasil e o país mergulhar numa ditadura por vinte e um anos.
Muita coisa foi vivenciada pelo próprio autor, que, na época mais cruel do regime, os “Anos de Chumbo”, conviveu com a classe artística, uma das mais visadas pelos repressores.
É comum jovens de hoje, ao ouvirem histórias sobre torturas e assassinatos ocorridos durante a ditadura militar, comentarem: “Nossa! Será que foi tudo isso mesmo?”. Sim, foi. Aliás, foi muito além disso. E é imprescindível que eles o saibam.
A Família d’Alma mora num bairro simples de São Paulo. Lourdes d’Alma, mãe de três filhos — Josué, Raquel e Rebeca —, ficou viúva aos 28 anos: seu marido, Alberto Torres, foi assassinado dentro do carro durante um assalto. Ela, desde então, isolou-se e nunca mais se envolveu com outro homem. Três anos depois, Lourdes perdeu também o pai, Oswaldo Campos Dutra. A partir daí, sua mãe, Dora d’Alma Dutra, passou a morar com ela e os filhos.
Os anos pós 1964 prometiam ser sombrios e turbulentos. De formação religiosa, Lourdes vê o golpe militar como algo bom e necessário para acabar com a ameaça comunista que, segundo os golpistas, aflorava no governo deposto. Daí o seu apoio aos militares.
Jamais poderia supor que o próprio filho, Josué d’Alma, seria uma das centenas de vítimas sequestradas e torturadas pela ditadura, acusado de subversivo.
E ele, embora não se identificasse com o novo regime imposto, não tinha qualquer vínculo direto com grupos de esquerda ou militantes do Partido Comunista, duramente perseguidos pelos militares.
Raquel é alienada e vazia de sentimentos. Não tolera Josué, o irmão mais velho. Odeia-o, na verdade. Pouco antes de ele ser preso, ela sai de casa, deixando no ar a terrível suspeita de ter delatado o próprio irmão, a quem Rebeca ama e respeita profundamente.
Rebeca, então, com a ajuda de advogados, da Igreja e de grupos de apoio, começa uma incansável busca por Josué, e pouco antes de sua mãe submeter-se a uma delicada cirurgia, promete a ela que o trará de volta.
Mas os tempos eram difíceis, a repressão intensa e severa, e Rebeca também é presa por agentes da ditadura, com acusações mentirosas criadas pelos orgãos do governo para incriminar inocentes inquietos.
Pouco antes da prisão — para piorar ainda mais as coisas —, seu namorado, Erick Müller, diante das incertezas no Brasil, retornaria com os pais para a Alemanha.
Nos porões da ditadura, Rebeca sofre torturas físicas e psicológicas, sessões de interrogatórios, choques elétricos por todo o corpo e terríveis humilhações, chegando a desejar, em vários momentos, a própria morte. Porém, algo surpreendente acontece, fazendo com que ela volte a acreditar na possibilidade de encontrar o irmão desaparecido.
O Veneno da Lagarta é uma história de amor, de ódio, mas, acima de tudo, de esperança.
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