O Velho Matemático

Por Paulo H. C. Gonçalves

Sobre o livro

CONVERSA ENTRE IRMÃOS Em nome de Deus, o justo por excelência, inicio esta obra.

– Valente sou eu que enfrentei um leão. – disse o irmão mais velho que logo completou – Matei a fera com um golpe na cabeça e ainda tirei a pele para fazer tapete… – Grande coisa. – Criticou o irmão que brincava com fogo – Aquele animal era velho e cansado… Não aguentava correr…

O que você fez foi um crime contra a natureza. – Eu é que sou corajoso, lutei com cinco bandidos e ainda fiquei com esta linda cimitarra… – Este então é o mais mentiroso de todos nós. – Zombou o mesmo irmão próximo ao fogo – Eu estava lá e vi tudo o que aconteceu.

– E virando-se para os outros irmãos, completou – Para começo de conversa não eram cinco bandidos, mas três meninos de rua. Se o moleque não tivesse tropeçado e derrubado a espada, o nosso querido irmão entregaria até as roupas. – O único herói aqui sou eu.

– falou o caçula, entrando na brincadeira – Não faz um mês que salvei a vida de uma criança. Se não fosse por minha agilidade, a pobrezinha teria morrido… – Não me venha com essa história. – Interrompeu o irmão mais velho – Sei toda a verdade.

A mãe da criança me contou que você estava olhando para uma moça e não reparou na carroça que vinha em sua direção. Se não fosse a menina, você é que teria morrido… A conversa seguia neste ritmo quando alguém reparou que o avô ria sozinho. – O que foi, vovô? – perguntou o caçula.

O avô balançou a cabeça como alguém que deseja tirar uma imagem do pensamento e depois respondeu: – Estou rindo porque participei de uma disputa de valentia em que o campeão não foi o homem mais forte e esperto, mas, sim, um covarde obtuso. – E quem era este homem, vovô?

– Vocês estão olhando para ele. Eu fui o campeão desta disputa e, graças à minha sorte, me casei com a filha de um xeque, capturei uma cobra monstruosa e achei um tesouro que não consegui carregar. Os rapazes se aproximaram e escutaram a seguinte história:

UM COVARDE, UM HERÓI.

O desânimo é germe que corrói o coração. Num instante somos forte, no outro, desilusão.

Antes de morar na cidade, eu vivia em um pântano com minha família. Naquele local, trabalhei como guia e ajudei no deslocamento de mercadorias. O homem mais importante da região era um xeque supersticioso que possuía um temperamento explosivo e um palácio magnífico.

Quis o destino que este homem se casasse por cinco vezes e só tivesse filhas para herdar o nome. Sabendo disso, meu pai falou: – O dinheiro compra tudo, mas nada pode contra os desígnios de Deus.

Um dia surgiu um adivinho que predisse que o xeque só seria pai de um menino após o casamento de determinada filha com um homem forte e corajoso. Logicamente eu não era este homem. Eu tinha boa altura, mas estava longe de ser valente e certamente o meu porte físico não ajudava muito.

Para resumir a história, o xeque mandou anunciar um torneio e, em pouco tempo, campeões de todo reino invadiram a cidade. – É sempre assim: – ouvi alguém dizer – o mundo está cheio de oportunistas prontos para tirar alguma vantagem.

O homem consciente trabalha para conquistar o seu lugar ao sol, o preguiçoso vive em busca de facilidades. Nada falei e me afastei do sujeito. No dia marcado fui até …

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