O Tesoureiro do Estado Islâmico

Por A.R. SUDAN

Sobre o livro

O “Tesoureiro” é um thriller que remete aos clássicos romances de espionagem dos britânicos Frederik Forsyth e John Le Carré, que expuseram em seus livros o submundo da rivalidade que pautou as relações dos países democráticos ocidentais, capitaneados pelos Estados Unidos, com o bloco oriental, dominado pela totalitária União Soviética.

Após a Segunda Guerra Mundial, com a criação do Estado de Israel e consequente redução, por conta de invasões israelenses da Cisjordânia, que é território palestino, das fazendas de Shebaa, no Sul do Líbano, e das Colinas de Golã, Síria, Israel foi atacado diversas vezes por seus vizinhos, que não aceitavam a criação do Estado judeu e o abandono da Palestina – e os atacaram também –, o que ampliou em favor do estado judeu as fronteiras definidas pelas Nações Unidas.

Esse estado de beligerância permanente fecundou as organizações terroristas mais radicais da história moderna.

Os mais notórios: Organização para a Libertação da Palestina, atualmente mais tolerante; o Hezbollah, a Jihad Islâmica e a Al Qaeda – responsável pela derrubada das Torres Gêmeas em Nova Iorque e ataque ao Pentágono, matando mais de três mil pessoas –; o Hamas, epicentro da mais recente crise entre Israel e os palestinos da Faixa de Gaza, e o Estado Islâmico, que assombrou o mundo com as decapitações de prisioneiros transmitidas online.

A ameaça representada por esses grupos terroristas é um desafio crescente para os governos e seus órgãos de inteligência. Nenhum país está imune a suas ações. Neutralizá-las tornou-se prioridade nos esforços de segurança. Reprimi-las é uma imposição de justiça e sobrevivência.

É nesse caleidoscópio que Almir Sudan ambienta “O Tesoureiro”, narrando com riqueza de detalhes derivada de sua experiência como viajante compulsivo – condição atestada por seu romance de estreia, “Apash”, de 2023 –, estudioso de política internacional e advogado competente.

O tema do livro e a sua abertura – a sequência de atentados praticados em Paris em 13 de novembro de 2015 pelo Estado Islâmico, que matou 130 pessoas e feriu 350 –, ele testemunhou naquele dia fatídico, quando jantava justamente no restaurante onde o protagonista Thierry Beaulieu é informado das ações terroristas.

O coronel escocês Wallace MacGraham – este é o nome verdadeiro de Thierry – contracena com a bela e excelente agente do Serviço Secreto Francês, Camille Hubert, a cujo charme não resistirá, e com seu compatriota e colega de farda e espionagem, o coronel inglês Christopher Clarke Hughes.

Estão a serviço da Direção-Geral de Segurança Externa da França, o Serviço Secreto Francês e do MI6, o Serviço Secreto de Sua Majestade, do Reino Unido, trio que lidera a Óperation Deux et Demi (Operação Dois e Meio), integrada na execução por militares das forças especiais francesas e britânicas.

O objetivo será subtrair os recursos financeiros existentes e secar a fonte de recursos futuros que mantém o Califado do Estado Islâmico, sediado em Raqqa, Síria, e liderado por Abu Bakr al-Baghdadi.

Para isso, seguirão o dinheiro do Estado Islâmico, obtido pela exploração e venda de petróleo da região de Mossul, no Iraque, ocupada pelo califado. A venda de armas é a artimanha que adotam para monitorar, após o pagamento, a origem e trajetória do dinheiro e quem o manipula.

Descobrem que esse trabalho é realizado por um tesoureiro e cinco subtesoureiros, espalhados por seis países.

A caçada aos operadores financeiros do califado transita por Singapura, Hong Kong, Dubai, Baku, Vaduz e Londres, e os conduzirá ao califa Abu Bakr al-Baghdadi, que ordenou o atentado em Paris. No thriller, a Óperation Deux et Demi revela-se um sucesso!

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