Sobre o livro
Publicado originalmente em 1945, O reino da Quantidade e os sinais dos tempos é, talvez, a mais sombria e penetrante das obras de René Guénon. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial, ela representa a culminação de seu diagnóstico sobre a modernidade — uma civilização em dissolução, dominada pelo predomínio do quantitativo sobre o qualitativo, da matéria sobre o espírito, da multiplicidade sobre a unidade dos princípios.
Nessa análise, Guénon vê o “reino da quantidade” como a etapa final de um processo de inversão dos valores tradicionais, em que tudo o que outrora se media pela qualidade do ser passa a ser reduzido a número, extensão e utilidade.
Essa degeneração não é, para ele, um acidente histórico, mas o sinal de um ciclo cósmico em seu ponto terminal — o Kali Yuga das tradições hindus, a “idade sombria” em que os símbolos, as doutrinas e as formas sagradas são esvaziadas de sentido.
Ao mesmo tempo, o autor indica que os “sinais dos tempos” não se limitam à degradação: neles se manifesta também uma preparação, ainda que involuntária, para o restabelecimento da ordem tradicional — uma restauração que, segundo Guénon, não se faz pela ação humana, mas pela consumação do próprio ciclo.
Com sua linguagem rigorosa e simbólica, O reino da Quantidade e os sinais dos tempos não é apenas um ensaio de crítica cultural, mas uma meditação metafísica sobre o destino do mundo moderno. É o ponto em que o pensamento de Guénon, iniciado em obras como Introdução geral ao estudo das doutrinas hindus e A crise do mundo moderno, atinge seu ápice e seu desfecho.
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