Sobre o livro
[23:04, 22/11/2020] Pai Vivo: O grande desafio de quem escreve para crianças é fazer, sim, literatura com bons sentimentos. Luciano Sheikk consegue isso de maneira muito bonita com sua história sobre passarinhos, mentiras, astúcia e velhice.
Talvez o que estrague uma literatura “edificante”, “boazinha”, “educativa” – e quantos livros infantis não merecem esses adjetivos?—não seja o ensinamento que pretendem transmitir, e sim a falta absoluta de verdade, de sinceridade, que os acompanha.
No caso de “O Pardal e o Chapinha”, impulsos de generosidade, idéias morais sobre o honesto e o inautêntico, não surgem de modo forçado na história, nem levam o narrador a pintar os personagens de um jeito mais bonito do que são.
Dois meninos querem ganhar dinheiro vendendo um reles pardal como se fosse um canário. A atitude não é das mais corretas, mas Luciano Sheikk encarrega a própria narrativa de consertar as coisas. E, o que é mais importante, tudo se conserta sem punição nem moralismo.
Aposta-se na capacidade que os seres humanos (e os passarinhos) têm de modificar-se a si mesmos, por si mesmos, por obra de sua própria liberdade –mesmo que estejam presos, como pássaros, na gaiola do que são.
Essa aposta, creio eu, é a de toda literatura realmente boa, sejam quais os sentimentos que pretenda expressar.
Marcelo Coelho
Escritor, Jornalista e membro do conselho editorial da folha de São Paulo
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