O PÃO MILAGROSO

Por Paulo H. C. Gonçalves

Sobre o livro

O clima de festa estava no ar. Dançarinas alegravam o ambiente com seus rodopios e delicados movimentos. Uma jovem de cabelos negros cantou uma triste melodia e um mágico divertiu os convidados contando histórias e se transformando em pessoas das mais diversas formas.

O jantar ia pela metade quando o anfitrião pediu a atenção de todos: – É sempre uma benção voltar em segurança e encontrar amigos, saudáveis, prontos a nos receber. – Os olhos do homem brilharam de contentamento. Ali estavam parentes, amigos e algumas autoridades.

Ele continuou – De todas as minhas aventuras, nenhuma se iguala à história que ouvi, na cidade que não existia, a respeito de um homem que desceu dos céus trazendo o pão milagroso. O anfitrião bateu palmas e escravos carregando cestos entraram no imenso salão. – Este, meus amigos, é o pão milagroso.

– disse por fim. Os convidados provaram o pão e aguardaram uma explicação que não veio. Enquanto isso, o anfitrião caminhou livremente entre os amigos, indagando um e outro a respeito da massa.

Um xeque resmungou: – Eu não conheço pão que seja milagroso e não entendo o que você quer dizer com “cidade que não existia”… O “Kadi”, igualmente impaciente, pediu: – Por favor, explique-nos este mistério. Sorrindo, por ter alimentado a curiosidade dos amigos, o anfitrião olhou o vazio e contou:

A CIDADE QUE NÃO EXISTIA

A vida não caminha para trás; temos que viver o presente e conquistar o futuro.

Receber bem as pessoas, mesmo os desconhecidos, é das práticas mais nobres dos filhos de Deus. Somente quem enfrentou as intempéries da vida é que sabe a importância de uma boa acolhida. Após semanas de caminhada sob o sol ardente do deserto, avistamos pequena cidade que prosperava a olhos vistos.

Admirado, constatei que meu guia desconhecia a existência daquela cidade. – Tenho certeza – disse-me ele confuso – aqui existia um grupo de nômades que mal ultrapassava a seis famílias.

– Tal preciosidade não pode ser ignorada – fiz meu camelo abaixar e saltei para esticar as pernas – Que tal antecipar a nossa parada e passarmos a noite aqui? O guia olhou desconfiado e depois respondeu: – Talvez não seja uma boa ideia.

A noite demora e poderemos, facilmente, ganhar uma grande distância. – Bobagem, meu rapaz, não devemos abandonar uma oportunidade que bate à nossa porta. Aquele que está sempre com presa, que não tem tempo a perder, é uma pessoa que não sabe viver.

Aproveite o instante que se apresenta e só assim envelhecerá com a consciência tranquila, certo de que aproveitou cada … (continua)

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