O Núcleo Furtivo (O Olho)

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

O título desse livro é bastante significativo e emblemático. Um livro de poemas cheio de grandezas e síntese. A poesia em dias de hoje exige a síntese para que seja aproximada de seu mais efeito, a perfeição.

Depois de Mallarmé, os poemas em prosa deveriam estar todos em franca decadência, mesmo que seja uma pros da mais alta qualidade. A separação entre poesia e prosa precisa ser analisada e detalhada.

Então, alguns poemas aqui em O Núcleo Furtivo, embora sejam essencialmente condensadas, não deixam de causar maior impacto por conta de sua distribuição no centro da página.

Tudo isso graças à revelação que faz aos poetas os sistemas de computação gráfica; diante desse instrumento, muito coisa que era impossível em antanhos tempos, torna-se até muito agradável de ser feita em horas mais hodiernas.

É assim que se comporta a Poesia moderna, traçando paralelos com a ciência e com novas possibilidades de futuro.

Tocou-nos a tarefa de trazer esses pequenos comentários aos livros de Humberto Henriques, o intuito de tonar a sua apresentação mais plena de fidúcia. Entretanto, ler 360 livros é um serviço abissal e quase impraticável, isso quando lançado em mãos de um único investigador.

Então, sempre buscamos junto ao autor alguma coisa que nos leve a facilitar esta empreitada. E fazemos perguntas, algumas mais simples, outras que exigem maior complexidade para que sejam devidamente assimiladas e respondidas.

Entretanto, sempre há uma tergiversação sobre determinados assuntos, a conversa sofre de desvios – mas sempre mantém algum caminho interessante. A vida nunca foi avara com o escritor. Sempre o municiou de boas fotografias e belas pinturas femininas.

Tanto isso é verdade que em seus livros, tocante a cada assunto que ele mais preza, nenhum foge da doçura de um perfil feminino.

Então, eu questionei o poeta sobre essa coisa de O Núcleo Furtivo. Humberto Henriques sorriu e me disse que O Núcleo Furtivo, conforme mesmo ditava o título do livro, era o olho. Ou os olhos. O Olho. Como está entre parênteses logo na junção com o título. Foi uma resposta lacônica. Muito vazia.

Então, seria melhor apertar mais o cerco da questão e entender até onde isso poderia ser melhor esmiuçado. Eu sabia de antemão que era o olho. Eu tinha lido.

Mas tinha lido também o compêndio e esse olho não ficou muito definido na imensidão do livro que se abrira aos meus olhos e ao meu conhecimento. Então eu fiz mais perguntas, todas elas referentes àquele Núcleo Furtivo, o que me parecia ser a bola da vez.

Então, depois de um pouco mais referendado dentro da questão, o escritor me olhou, bebeu um gole de vinho e disse que era o seguinte. Eu esperei para saber o que seria o seguinte e a resposta foi mesmo esta, muito embora não seja uma coisa assim tão pouco sóbria que eu esperava.

Entretanto, era preciso considerar por conta da sinceridade do poeta. Disse ele que na juventude fez duas coisas muito importantes e que precisavam ser mesmo reportadas. Durante o dia caçava codornizes e perdizes nos campos em torno do Brejo Bonito.

Às noites, caçava algumas garotas nas pequenas cidades em tono do Brejo Bonito. Isso era repetição, era contumaz, de dezembro até março. Eram os tempos das férias escolares, quando o autor saía da Biblioteca José de Alencar, no Colégio Diocesano de Uberaba, para se deixar a esses misteres.

Lia algum livro nos intervalos ou pescava. Pescava no ribeirão das Pitas, pescava nas lagoas e represas ao longo dos sítios do Brejo Bonito.

Eu ouvi e não percebi aonde ele queria chegar. Cadê o olho nessa história toda? Pelo menos esse núcleo furtivo que quer deduzir pura poesia? Então, ele me conduziu à simplicidade do raciocínio.

Se durante do dia precisava do olho para esse tiro perfeito – Henriques era um atirador de elite -, na busca da perdiz que voava em busca de liberdade, o cão perdigueiro a dar seus sinais (era preciso atirar somente com o alvo em movimento, ensinamentos do tio Duca); durante a noite precisava de dois olhos precisos p

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