O Monge e o Espelho

Por Sofus Solivagante

Sobre o livro

Este conto esotérico não pretende ensinar, doutrinar ou revelar verdades absolutas. Ele é, antes de tudo, um símbolo. Um espelho sombrio voltado para o interior do ser, onde o que se vê não é o reflexo da carne, mas os contornos tênues de uma centelha esquecida.

Aquela que os antigos gnósticos chamavam de pneuma, o sopro perdido da Origem. A história do monge não se dá no tempo nem no espaço como os conhecemos. Suas paisagens são interiores. Seus portais não se abrem em cidades ou desertos, mas nas frestas do próprio espírito.

O leitor atento notará que o monge não tem nome. Ele é arquétipo, não personagem. É o que resta do homem quando o ego se esgota. É o que nasce quando a matéria já não basta. É, enfim, aquele que ousa atravessar o véu e não retorna o mesmo.

Quem lê com os olhos do mundo talvez nada veja aqui senão silêncio e sombra. Mas quem lê com os olhos do espírito poderá — talvez — entrever os contornos de algo que jamais pode ser dito. Que este livro encontre aquele que precisa sonhá-lo.

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