O Cerco de Guadarril: Uma história da Reconquista

Por Danilo Anello

Sobre o livro

Um romance histórico de fôlego sobre guerra, honra e a ascensão de homens forjados pela ruína.

Ficção histórica séria — para leitores exigentes, que não se satisfazem com o comum.

Las Navas de Tolosa.

Um vale perdido. Uma fortaleza caída. Um homem chamado a erguer-se acima do que era.

Quando o castelo de Guadarril sucumbe ao avanço almóada, Álvaro Rubio perde mais do que muralhas: perde o chão, o futuro e a vida que começava a construir ao lado de Inés.

Mas alguns homens não nascem prontos.

São forjados.

Enquanto castelos ardem e os reinos cristãos da Península convocam homens para a campanha que decidirá o destino de uma geração inteira, Rubio junta-se a uma hoste improvável de camponeses, pastores e sobreviventes — homens simples chamados a tornar-se mais do que jamais imaginaram.

Não marcham por glória.

Marcham porque, sem vitória, não haverá casa. Não haverá futuro. Não haverá regresso.

E, enquanto reis, cruzados e exércitos convergem para a guerra grande, Rubio descobrirá que algumas batalhas não servem apenas para preservar o que foi perdido.

Servem para criar algo novo.

Porque há nomes que não nascem na paz. Nascem quando homens comuns decidem permanecer de pé enquanto o mundo inteiro tenta derrubá-los.

Do livro:

— Tens medo? — perguntou ele. — Tenho. — Respirou. — Mas rezo por ti.

— E eu luto por ti.

A água escorria pela borda, fria como o luar. A luz da candeia tremia, e a poeira suspensa parecia neve sobre os cabelos dela.

Nenhum dos dois percebeu Dona Elvira, imóvel no alto da escada, mãos cruzadas sobre o véu.

Por um instante, desejou que o mundo cessasse — o cerco, o medo, o dever — e restasse apenas a sensação de ter sido vista.

E compreendida.

Outro momento do romance:

O portão cedeu.

Do acampamento ergueu-se o bramido: — Allāhu akbar!

A vanguarda lançou-se à brecha como avalanche.

Mas a armadilha esperava.

As lanças avançavam e recuavam num compasso de morte. Pedras caíam. Flechas perfuravam carne e couro.

O corredor tornou-se poço de sangue.

A um sinal, despejaram areia ardente. A fumaça subiu com cheiro de carne e pânico.

Rubio avançava como se tivesse o martelo ligado ao coração. Cortava. Esmagava. Derrubava.

O fogo subiu como se o inferno tivesse respirado.

O corredor ficou cheio de mortos.

O castelo respirava como um homem ferido — vivo, mas cansado.

Redigido em português continental moderno, por coerência estética.

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