O Caso do Relógio de Areia

Por Rodrigo Nascimento

Sobre o livro

Introdução: O Chamado da Areia O tempo é uma entidade traiçoeira.

Às vezes, corre como um rio furioso, arrastando vidas e segredos sem piedade. Outras vezes, escorre devagar, como se saboreasse a angústia daqueles que esperam. Mas, para Arthur Whitmore, naquela noite chuvosa, o tempo parecia ter parado. E, ao mesmo tempo, estar se esgotando.

A chuva tamborilava no telhado de sua loja de antiguidades quando o envelope de pergaminho surgiu diante dele, pousado sobre o balcão como um presságio. Ninguém o vai entregar. Ninguém ouvira batidas na porta. Apenas estava ali, com seu selo de cera vermelha ostentando um símbolo que fez seu sangue gelar: um relógio de areia entrelaçado por uma serpente mordendo a própria cauda.

Com dedos hesitantes, Arthur quebrou o selo e deslizou o convite para fora. As palavras eram escritas com tinta escura, quase negra: “O tempo é a única testemunha. Sua presença é requisitada na Mansão Blackwood. Esta noite. Sem falta.” Algo caiu do envelope e pousou em sua palma.

Um pequeno relógio de areia de bolso, do tamanho de uma moeda. A areia avermelhada se movia lentamente dentro do vidro envelhecido, como se contasse um tempo que apenas ele podia sentir. Arthur virou o objeto, e uma inscrição surgiu sob a luz amarelada do lampião:

“Quando o último grão cair, a verdade será revelada.” Um arrepio percorreu sua espinha. Havia algo de errado naquele convite. Algo que transcendia mistério e se aproximava do inevitável. Aquela noite marcaria o início de um jogo mortal. E o tempo, cruel e implacável, já estava correndo.

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