O Arco de Sant’Ana

Por Almeida Garrett

Sobre o livro

O autor aborreceu-se muito com as alusões políticas pessoais que inimigos e maus amigos se empenharam em achar no primeiro volume deste romance.

Tem a consciência de ter dado bastantes e bem solenes provas de que nunca lhe faltou coragem para atacar frente a frente, e como nobre homem que é, os seus contrários. Se pecou alguma vez neste ponto, foi por excesso de lealdade e franqueza.

Esconder-se como Fedro, o escravo, detrás de seus apólogos para satirizar os mandões, é cobardia que desonra o homem público num governo livre.

Ninguém há menos capaz disso do que ele; e protesta portanto contra todas essas alusões. Não lhe importa com o desfavor que delas possa resultar: o favor é que o rejeita com desdém e desprezo.

O romance é deste século: se tirou o seu argumento do décimo quarto, foi escrito sob as impressões do décimo nono; e não o pode nem o quer negar o autor. Todas as coisas humanas têm o seu lado torpe, ou feio, ou ridículo. É permitido à arte virá-las de um ou de outro lado quando quer «rir castigando». Mas daí às VESPAS da comédia antiga vai muito. De boamente imitara Cervantes se pudesse, Aristófanes jamais.

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