Nalgum Lugar: Duas epidemias, dois séculos: Uma mesma solidão que rompe a barreira do tempo
Por Camila MendesSobre o livro
A respiração era difícil, medida em batalhas de milímetros.
Contudo, ao encarar fixamente as pequenas imperfeições que encontrou no canto final daquela extensa parede de confinamento, compreendeu intimamente que a ausência de oxigênio não poderia ser mais forte que a teimosia em continuar respirando.
Se as paredes daquele hospital antigo abrigavam memórias de outras epidemias esquecidas no rodapé da história, ela se tornaria apenas mais uma mulher silenciada no isolamento que resistiria à espera de um novo amanhã.
Ela apertou os lençóis debaixo dos dedos dormentes, fechou os olhos para bloquear as lâmpadas fluorescentes cortantes, e focou unicamente no movimento de expansão que o seu tórax tentava, a duras penas, reaprender a concluir…
Cecília, 2020. Maria Luiza, 1914. Duas mulheres unidas pela solidão de uma pandemia, encontram uma fresta no tempo, que as permite se corresponderem por cartas. Estão próximas, nalgum lugar.
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