Sobre o livro
O rádio começou a emitir sons de interferência, falhando as músicas de um modo muito assustador, e a tensão em meu corpo doía. Me joguei para frente e fechei a porta da Kombi usando mais força do que o necessário. A porta bateu alto, me trancando dentro do veículo.
Eu me sentia um pouco mais segura, mas tinha medo de olhar pelas janelas e ver alguma coisa medonha. Meu corpo tremia e suava frio, minha visão focava e desfocava, me fazendo perceber que ia desmaiar a qualquer instante tamanho era o medo que eu sentia.
Devagar, a razão voltou à minha mente e me lembrei de que havia esquecido a lanterna fora da Kombi, no banquinho ao lado da fogueira apagada. Senti muita raiva de mim mesma por deixar a lanterna lá fora, mas mesmo assim decidi sair e pegar.
Me despi do xale e contei até dez, abri a porta e saí de uma vez. A lanterna estava lá, no banquinho, como eu tinha me lembrado, dois metros longe da Kombi. Eu distinguia a silhueta da lanterna no escuro, peguei-a e me assustei com a temperatura gelada do objeto.
Liguei, feliz por ter me lembrado de colocar pilhas novas nela, e direcionei o feixe de luz para a Kombi.
Havia alguém entre a Kombi e eu.
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