MIGS: cirurgia minimamente invasiva para glaucoma: ULTIMATE GUIDELINES
Por Fábio Kanadani (Editor)Sobre o livro
O tratamento do glaucoma vem passando por uma “revolução” nos últimos anos. Apesar de o cerne do tratamento ainda estar centrado na redução da pressão intraocular, novas modalidades e novos algoritmos vêm sendo adicionados, o que modificou substancialmente a abordagem do paciente glaucomatoso.
O estudo LIGHT, por exemplo, estabeleceu um novo paradigma no tratamento inicial do glaucoma primário de ângulo aberto, tornando a trabeculoplastia seletiva a laser o novo gold standard nessa situação. No campo cirúrgico, é notório o desenvolvimento de novas estratégias para o tratamento do glaucoma.
Essas novas estratégias foram reunidas sob a denominação MIGS (minimally invasive glaucoma surgery), apesar de empregarem diversos mecanismos de ação.
Os chamados “bypass” trabeculares, como o iStent® e o Hydrus®, incluem implantes que permitem a passagem direta do humor aquoso da câmara anterior para o canal de Schlemm.
Os procedimentos tipo goniotomia (GATT, Kahook, BANG, Omni) eliminam a resistência ao fluxo de humor aquoso causado pela malha trabecular e promovem um contato direto do humor aquoso com o canal de Schlemm.
Os procedimentos supraciliares (do extinto Cypass) aumentam o fluxo uveoescleral, ao criar uma via de escoamento do humor aquoso da câmara anterior para o espaço supraciliar.
Os implantes que se utilizam da via subconjuntival (Xen® e PreserfloTM) permitem um fluxo controlado da câmara anterior para o espaço subconjuntival. Finalmente, o laser micropulsado age reduzindo a produção e aumentando o escoamento do humor aquoso pelas vias trabecular e uveoescleral.
Esses procedimentos variam em relação à eficácia e à segurança. É fundamental que o oftalmologista conheça a relação eficácia/segurança de cada procedimento e, baseado nisso, eleja a melhor opção para cada paciente.
Um erro muito comum é escolher apenas um desses procedimentos para todo e qualquer paciente. Seria como escolher sempre o mesmo medicamento para tratar glaucoma. Insisto que, para cada paciente, há um procedimento ideal.
Outro erro comum é esquecer da existência da trabeculectomia, que permanece como o gold standard entre as cirurgias antiglaucomatosas. Há casos em que nenhum procedimento MIGS é capaz de atingir a pressão alvo de um paciente, especialmente em glaucomas muito avançados.
Esse livro, magistralmente organizado pelo Dr. Fabio Kanadani, com o suporte da Sociedade Brasileira de Glaucoma, presidida pelo Dr. Roberto Galvão Filho, tem, em seus capítulos, as respostas para os dilemas mencionados acima.
Autores com ampla experiência dão todas as informações sobre técnica, indicações e complicações da trabeculectomia, iStent®, Kahook Dual Blade®, GATT, Xen® e ciclofotocoagulação com laser micropulso.
Ainda que ensaios clínicos randomizados ainda sejam necessários comparando as diversas técnicas, tenho certeza de que vocês, leitores, se beneficiarão muito dessa experiência. Passarão a incorporar cada vez mais os procedimentos minimamente invasivos no seu arsenal terapêutico.
Mas o farão de maneira cuidadosa, com bom senso, sempre embasados em evidência científica.
Boa leitura.
Prof. Dr. Vital Paulino Costa Chefe do setor de Glaucoma (UNICAMP) Professor associado de Oftalmologia (UNICAMP) Responsável pela Pós-Graduação em Oftalmologia (UNICAMP) Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma
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