MEU PSICÓLOGO PESSOAL – O SUPREMO INIMIGO DA HUMANIDADE

Por FELIPE RODRIGUES

Sobre o livro

Uma velha lenda japonesa conta a história de um homem que era cruelmente torturado, noite e dia, por um monstro horripilante.

Por fim, a vítima, cansada de sofrer, voltou-se para o Demônio e, dizendo-lhe que nada tinha feito para merecer um tal tratamento, perguntou-lhe por que razão era assim perseguido. – “Queixa-te de ti, condena-te a ti próprio pelo teu sofrimento,” – respondeu severamente o Demônio.

“Sou o monstro que a tua imaginação criou; a minha natureza é tal como a formaste, e não vivo senão da vida que me deste.” Sabemos qual é o nome desse Demônio supremo que a todos nos persegue? – É a guerra, a fome, a peste, o crime, a miséria, a doença ou a morte, dirão muitos.

– Não; ainda não é nenhum desses, por muito maus que sejam. É o pai de todos, o que a todos cria, o que arrasta sobre nós o mais monstruoso turbilhão de perigos. O supremo inimigo da humanidade – é o Medo!

A que lamentável situação este demônio subjetivo de toda a humanidade, reduz a obra-prima de Deus – o homem! Por mais senhor de si que um homem seja, por mais confiança que deposite nos poderes prodigalizados pelo seu Deus, o Demônio Medo pode fazê-lo se espojar no pó como um escravo.

A ruína, a falência, a fome, a pobreza, a peste, a derrota, a perda de posição ou situação no meio social – o medo de que alguma destas coisas possam eventualmente acontecer-lhe – todos os males que a sua fértil imaginação pode visionar, avultam sobre ele, torturando a desgraçada vítima e impelindo-a para a loucura.

É um acontecimento singular, estranho, que, sendo o homem criado para dominar o mundo, se permita tornar-se a vítima passiva, desanimada e tímida deste demônio soberano.

É, contudo, muito mais extraordinário que nós não saibamos nos compenetrar desta verdade sintomática: que o Medo é apenas o produto do nosso próprio pensamento – e que é o nosso pensamento, a nossa imaginação que o cria, e só nós somos os responsáveis por esse demônio que nos tortura.

Ele não tem razão de existir no nosso próprio espírito. Se é certo que cada pessoa cria os seus próprios medos, todos podem se libertar deles, por uma questão de força de vontade, impondo-se nos seus pensamentos. O medo!

Será possível que alguém produza fatos que nos sugestionem, mas é somente quando permitimos que o nosso espírito se deixe influenciar por essas sugestões exteriores que nos tornaremos uma presa do “Medo.” Nada pode atuar sobre nós ou nos afetar, sem que o deixemos alojar no nosso entendimento.

O mesmo se dá com as circunstâncias. Não há circunstâncias que possam produzir medo a um espírito forte.

O mundo das circunstâncias pode deixar impresso na nossa mente a sua ação maléfica – mas somente quando o permitirmos – e nada poderá afetar a mínima parcela da nossa força moral, desde que saibamos expulsar as suas investidas para se alojar na nossa mente.

Tudo o que bate à porta da nossa alma nunca poderá entrar sem o nosso consentimento. Depende de nós o abrirmos ou fecharmos essa porta misteriosa e assim darmos ingresso às concepções salutares, ou excluirmos as superstições venenosas.

Está dentro das meras forças do nosso ser vedarmos a porta da nossa psicologia a tudo que arraste consigo a sensação do medo e admitir apenas o que contenha harmonia, integridade, força e alegria. Contudo, aberta uma vez essa porta à venal temeridade, difícil será outra vez fechá-la. Oh!

Quanta gente assim tem sido, por tantos e tantos anos, vítima deste temível Satã, que se agacha e confunde dentro da sua própria natureza. Todas as suas ações . . .

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