Sobre o livro
Do que fica exposto nos capítulos que constituem esta obra, o leitor discreto e a leitora livre de preconceitos hão de concluir que o motivo ou tema fundamental que nestas páginas se discute, tem muitos pontos de contato com os problemas cuja solução fatiga atualmente os psicólogos, os pensadores, os educadores e os sociólogos.
Por muito diversas que sejam as opiniões que se queiram sustentar, por muito diferentes que possam ser as escolas a que se pertença ou os sistemas que se defendem, é legítimo afirmar que há algumas verdades que se podem qualificar de evidentes e incontestáveis e unanimemente admitidas por todos os homens que passam a vida na discussão de problemas importantes, desde os que militam na extrema direita do absolutismo até aos que se enfileiraram no mais ilusório radicalismo.
Ninguém poderá negar que, aparte as exceções do celibato místico, a finalidade de todo o ser humano consiste em contribuir com o seu trabalho para a produção da riqueza material, intelectual e moral da humanidade, e com as suas energias criadoras para a reprodução da espécie em que se perpetua a raça humana.
Embora se reflita pouco, não é difícil ver e compreender que elementos indispensáveis para a evolução humana são a produção e a reprodução. A evolução equivale à vida, e a vida é o sinônimo de atividade; e sem atividade, não é possível o progresso.
Daqui resulta evidentemente a importância do problema sexual nas suas relações com a educação da juventude e a necessidade manifestamente imperiosa de romper, para todo o sempre, o silêncio criminoso que até agora tem reinado sobre um assunto que a mesma natureza expõe, com tremendas interrogações, aos olhos físicos e mentais do adolescente.
A sexualidade opera de um modo tão imperioso no desenvolvimento individual que é totalmente impossível encobrir ou dissimular as suas condições, sem nos expormos às funestas consequências, que andamos sempre a lamentar e contra as quais gritam os mesmos que as provocam com o seu silêncio criminoso.
Se Deus não tivesse inspirado, em ambos os sexos, o desejo de reprodução, a raça humana se extinguiria em breve; por isso temos de considerar este desejo como a força fisiológica que excede todas as outras em importância, relevância, seriedade e intensidade, mas cuja direção Deus entregou ao raciocínio do homem, para que este possa se distinguir do bruto.
Assim expostos os princípios fundamentais da educação sexual, ficamos profundamente convencidos de que, se forem postas em prática pela mãe em primeiro lugar, pelo pai, a seguir, e pelo professor, por último, cada um, portanto, na respectiva etapa do desenvolvimento do educando, já não há necessidade de pintar o amor de olhos vendados.
. . . As mães discretas não deixarão de concordar, em pensamento e ação, com o exposto nesta obra; e, sem dúvida, há de haver muitos que tenham verificado experimentalmente nos filhos, e sobretudo nas filhas, as vantagens da educação sexual. A verdade é a irmã gêmea da pureza. . . . . . .
Este conhecimento há de realçar a imagem bendita do amor conjugal, e o nobre desejo de amor tão puro e honesto há de afastar os desejos impuros e as paixões indignas, perversas, desagradáveis ou detestáveis, desonestas e infames. É necessário ensinar as filhas a serem boas esposas e melhores mães.
A inocência consiste em conhecer o bem e o mal, e em amar o bem e afastar o mal.
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