MEU PSICÓLOGO PESSOAL – A MULHER MODERNA

Por FELIPE RODRIGUES

Sobre o livro

Há muito tempo, uma mulher do Estado Norte-Americano de Massachusetts processou uma companhia ferroviária pelo extravio de uma mala de viagem cheia de valiosas roupas.

O juiz não tomou conhecimento da queixa, fundando-se em que a mulher não era proprietária das roupas, pois estas pertenciam ao seu marido. A personalidade da esposa estava então sendo incorporada na do marido e, assim, nenhuns direitos individuais lhe eram reconhecidos.

Quatro anos mais tarde, quando o parlamento do Estado de Massachusetts concedeu o direito de voto às mulheres para eleição das Juntas escolares, um parlamentar protestou publicamente contra tal decisão, dizendo: “Se semelhante reforma for efetivada, destruiremos a raça sob a maldição de Deus onipotente.” Entretanto, reconhece-se hoje à mulher a propriedade pessoal das suas roupas; e a raça está todavia florescente e, graças à intervenção feminina nas Juntas escolares, o sistema pedagógico de Massachusetts é o mais perfeito de quantos vigoram nos Estados Unidos.

O mundo marcha. Apesar dos conservadores retrógrados, pois nem todos os conservadores são antiquados políticos, a humanidade segue avante, se bem que a passo demasiado lento para as necessidades sociais.

O objetivo desta obra é concorrer para o progresso do mundo, tanto quanto possam as forças do autor, muito inferiores à sua boa vontade. Procurará demonstrar, ainda que imperfeitamente, como pode se concorrer para esse progresso.

Nas suas páginas se discutirão com inteira imparcialidade os problemas capitais do feminismo contemporâneo e as mudanças sociais e econômicas que estão transformando o velho conceito do lar doméstico.

As reformas hoje exigidas pela educação da mulher, as questões relativas ao noivado, matrimônio, eugenesia e divórcio, a independência econômica da esposa, ao voto da mulher e às profissões femininas quanto à sua dependência da maternidade, têm todas um lugar mais ou menos amplo neste livro.

O autor crê sinceramente que se não progredimos com maior rapidez nas questões de ordem moral, é em grande parte devido à submissão da mulher nos temos passados e ao seu completo afastamento da vida política e das funções de governo, autoridade e administração no regime social.

É também o autor de opinião que hão de falhar sempre as leis, e os códigos e as condições sociais ditadas e definidas pelo egoísmo masculino, que lhes dá sempre um espírito unilateral, especialmente nos pontos em que o elemento sexual tem preponderante importância.

Não obstante, os séculos XX e XXI vieram trazer um formidável progresso à humanidade. Incessantemente se desenvolve a educação da mulher, e cada vez são mais numerosas as ocasiões que se lhe deparam de abrir caminho na vida.

A muralha na China, levantada pelos preconceitos entre as profissões próprias de cada sexo, está pouco menos que destruída; homens e mulheres se encaminham hoje para um centro comum de interesses e desígnios.

E, ainda que em muitos países se mantenha de pé a obstinada base da oposição contra a completa emancipação da mulher, não tardará a ser arrasada pelos vigorosos assaltos da Justiça e do Direito.

Quando ela desmoronar em breve completamente arruinada, hão de se aliar as energias de todos os homens e de todas as mulheres para o bem comum, para o bem da humanidade, em vez de se dividirem como agora acontece.

Disse Maeterlinck: “Todas as mulheres com quem nesta vida tenho travado relações me têm concedido algum bem.” Sempre que a mulher deu um passo em frente, foi em benefício da humanidade. Tudo quanto ela toca, fica melhorado, purificado, limpo, refinado, realçado.

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