Meu coração e outros poemas: Il mio cuore e altri poemi

Por ALEXANDRE PILATI

Sobre o livro

Coletânea de poemas de Alexandre Pilati em edição bilíngue, português/italiano. O prefácio é de Vera Lucia de Oliveira (Università degli Studi di Perugia) e o posfácio de Ana Laura dos Reis Correa (Universidade de Brasília).

As traduções dos poemas para o italiano são de Claudia Valeria Lopes, Maristella Petti e Margareth de Lourdes Oliveira Nunes.

O livro reúne poemas publicados nos livros anteriores do poeta e alguns inéditos, organizados em ordem cronológica.

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“Entre outras coisas, toda poesia é um desejo de diálogo, uma aposta na capacidade de entendimento do mundo e de interrogação das relações que mantemos conosco, com os outros, com a linguagem, com a realidade, com a transcendência.

E através da tradução, amplifica-se essa possibilidade de conversa entre pessoas, entre culturas e entre sociedades.

O tradutor literário, portanto, faz acontecer algo decisivo para completar-se uma função essencial da literatura: o aprofundamento e a expansão dos vínculos sociais, por meio da expressão estética.”

Alexandre Pilati na “Apresentação”

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“O amor é uma forma de agnição e de cognição, que se dá também pela contemplação da natureza, pela auscultação dos mistérios da vida, pelo respeito pelo mundo vegetal e animal, pela paixão pelos livros e pela arte, pelo apreço e admiração por grandes poetas e intelectuais, como Pasolini e Gramsci, explicitamente citados no livro.

Ao fazer isso, ao experienciar o amor em suas ambiências e constâncias, em nenhum momento esse lirismo omite a consciência de que o amor tem um outro lado, a sua negação, que resulta em aridez e na avidez com que se recusa a milhões de indivíduos a dignidade e o direito à vida. Eis que a poesia é, então, o antídoto contra a indiferença, porque nos leva para além das aparências e solicita a ação.”

Vera Lucia de Oliveira no “Prefácio”

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Se houvesse apenas uma palavra para dizer algo sobre este conjunto de poemas, eu escolheria a palavra vínculo, que faz deste livro “uma carta contra o vazio”.

“Num ano como este, que passa de improviso sobre nossas cabeças”, num mundo-ilha, antes levemente submerso na agitação das águas, e agora fortemente irrompido pela pandemia, Meu coração e outros poemas também se eleva – contra a ínsula – e cria para o leitor um vínculo com a vida e com o outro: um “abraço-mundo”.

Se o dinheiro, como diz Marx, tornou-se o vínculo dos vínculos, e produz um mundo invertido, onde impossibilidades se confraternizam em festa, a poesia de Pilati enfrenta o mar aberto das contradições sem exilá-las numa ilha sem saída para um mundo desinvertido, e estuda a possibilidade de um mundo em que “o dinheiro tropeça em suas próprias pernas” e cede lugar à sede humana de “fazer o mundo tingir-se outra vez de infâmia e de aurora”.

Ana Laura dos Reis Correa no “Pósfácio”

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“Meu coração”

é uma espelunca

embrulha-se

e engulha-se

engula-se!

como uma foto

de satélite

impreciso e impressionante

meu coração

só símbolo

só sim

meu coração:

bijuteria.

– – – – –

“Il mio cuore”

è una spelonca

s’accartoccia

e si stucca

s’ingozzi!

come una foto

di satellite

impreciso e impressionante

il mio cuore

solo simbolo

solo sì

solo

il mio cuore:

bigiotteria.

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