Sobre o livro
Victória Rabelo não nasceu, ela foi construída. Seu nome anterior foi apagado por necessidade, sua história dissolvida por sobrevivência. O que restou não foi uma nova identidade, mas um espaço vazio onde antes existiam memórias, vínculos, afetos.
Um corpo que continua, mas uma mente que não acompanha. Um silêncio interno tão profundo que chega a ser confortável. Antes, ela foi outra, alguém que quase morreu.
Com um ataque foi brutal, preciso, calculado, um encontro com um serial killer que não apenas tentou tirar sua vida, mas deixou algo incompleto, como se sua morte tivesse sido interrompida antes do fim, como se algo nela tivesse sido deixado para trás. Ou levado.
Agora, vivendo sob um novo nome, Victória existe à margem de si mesma. Sem passado, sem referências, sem a continuidade que sustenta a identidade. Sua mente é um território limpo, ou assim parece. Até que os crimes começam. Mulheres surgem mortas sob circunstâncias que carregam um padrão perturbador.
Um modus operandi que ecoa o ataque que Victória sofreu. A mesma precisão. O mesmo cuidado. A mesma assinatura invisível. A polícia reconhece o desenho, e, inevitavelmente, chega até ela. O que deveria ser apenas coincidência se transforma em convocação.
Victória é forçada a encarar aquilo que foi cuidadosamente apagado. Mas recuperar o passado não significa apenas lembrar, significa abrir espaço para algo que talvez nunca tenha ido embora.
À medida que se aproxima da investigação, fragmentos começam a emergir.
- Não como lembranças completas.
- Não como sensações deslocadas.
- Não como imagens incompletas.
Mas como impulsos que não pertencem inteiramente a ela.
Como se sua mente não estivesse vazia, mas ocupada por aquilo que não foi totalmente compreendido, processado, ou encerrado. O assassino não apenas retorna, ele continua, e há algo inquietante nessa continuidade; uma sensação de que Victória não é apenas uma sobrevivente, mas parte do processo.
Como se aquele encontro inicial não tivesse sido um acaso, mas o início de algo maior, algo que ainda está em curso. A investigação revela um padrão mais profundo do que simples repetição.
Há uma lógica na escolha das vítimas, uma construção silenciosa que parece avançar em direção a um objetivo que ainda não pode ser totalmente visto. E, no centro disso tudo, está ela. Dividida entre o que não lembra e o que começa a sentir, Victória é obrigada a atravessar o vazio que a protege.
Porque permanecer sem memória já não é segurança, é risco. Porque há coisas que precisam ser lembradas, mesmo que não sejam suportáveis. Mente Vazia desenvolve uma narrativa que articula identidade, trauma e apagamento psíquico para tensionar os limites entre memória e existência.
Ao acompanhar uma mente que sobrevive sem passado, Victória deixa de habitar apenas o esquecimento e passa a confrontar fragmentos que persistem abaixo da consciência, atravessando a fronteira entre o que foi vivido, o que foi apagado e o que ainda atua.
À medida que os crimes se repetem, torna-se evidente que o vazio não é ausência, mas um espaço onde algo permanece em suspensão, influenciando, conduzindo e, talvez, reconstruindo a própria realidade a partir do que foi interrompido. Mente Vazia é o quarto livro da coleção intitulada “ZONA MORTA”.
E dentro desse vazio, esquecer não é desaparecer, é permanecer sem forma, porque sua mente se torna silêncio, não significa que esteja vazia.
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