Memórias de um Átomo: Uma epopeia em prosa

Por Robertson Frizero

Sobre o livro

Das páginas de “Os Maias”, surge a obra literária de um de seus mais amados personagens!

“Um átomo — sim, um só — que viu mais do que todos nós juntos.”

Nesta epopeia em prosa (e que prosa!), João da Ega, o mais irônico dos filhos das Letras Lusas, oferece-nos a autobiografia de um átomo.

Não de um átomo qualquer, mas de o átomo: aquele que palpitou no Orango, filosofou com Platão, refletiu o verbo de Jesus, tilintou na espada de Napoleão, e repousou, por fim, na pena do próprio Ega — que, generosamente, o eterniza em páginas onde o estilo é mais cintilante que a coroa de Dom Pedro I – ou IV.

É um livro que conjuga física e metafísica, história e ironia, poesia e provocação — tudo temperado com a certeza de que o mundo, por vasto que seja, só faz mesmo sentido quando bem narrado.

Um livro raro. Um autor singular. E um átomo inesquecível.

“Memórias de um Átomo” é a travessia do tempo narrada pela menor das coisas — e escrita pelo maior dos egos.

João da Ega, dândi, cronista e exímio frequentador de cafés com pretensão metafísica, ousa contar-nos a História do Universo do ponto de vista de uma partícula cansada de fazer parte da matéria sem ser notada.

Acompanhamos o átomo desde as névoas do cosmos até o tinteiro de Ega — passando por Platão, Galileia, cruzadas, revoluções, cafés de Paris, conventos húmidos, ruas empoeiradas dos trópicos e sobrancelhas franzidas de grandes escritores.

Irônico sem ser cínico, erudito sem ser pedante (salvo em ocasiões deliciosas), Ega transforma esta narrativa microscópica numa comédia cósmica — onde o leitor ri, pensa e, vez ou outra, suspeita que o próprio universo talvez tenha sido escrito num momento de capricho estilístico.

O livro dentro do livro — finalmente ao alcance do leitor!

O escritor brasileiro Robertson Frizero, apaixonado pela obra de Eça de Queiroz, resolveu escrever essa paródia carinhosa, uma declaração de amor ao universo de “Os Maias”; ela é a concretização do original-em-andamento citado no romance queiroziano como “a obra-prima literária de João da Ega” — ou, nas palavras do próprio autor-personagem: “Devia ser uma epopeia em prosa (…), dando, sob episódios simbólicos, a história das grandes fases do Universo e da Humanidade.

Intitulava-se ‘Memórias de Um Átomo’, e tinha a forma duma autobiografia.” Buscando manter o mesmo universo ficcional, dicção e referências de João da Ega, Frizero oferece ao leitor a oportunidade de matar sua curiosidade sobre a prosa de Ega, enquanto amplia seus horizontes sobre a Geração de 70, que Eça de Queiroz ironiza na figura do dândi intelectualizado que nunca concretiza nada, mas debate ferrenhamente no campo das ideias o que pensa ser o futuro ideal para Portugal.

É humor, ironia e crítica social para manter viva a memória de Eça de Queiroz e sua grandiosa obra.

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