Mau–Mi–Quer

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

P

oesias de última lavra do poeta, mais concretas e elaboradas com recurso de informática mais aprimorados. Estamos diante da concepção poética máxima para escritores contemporâneos.

Trata-se de um criador com capacidade larga de busca e concepção poética, capaz de trafegar com facilidade e liberdade, desde os moldes clássicos até os mais experimentais poemas que possam ser imaginados.

O poeta aqui rebusca suas condições bem humoradas e faz um título muito esquipático, muito parecido com um erro gramatical. Trata do nome do bem-me-quer/malmequer, aquele brinquedo de tempos remotos, com a brincadeira já formulada.

Usa os recursos desses jogos de palavras /bem/bom/mal/mau para concretizar o título de mais um de seus volumes de poesia.

Todavia, há detalhes inúmeros que podem ser aventados diante de uma obra singular como esta que temos agora nas mãos.

O uso dos recursos de computador são nada mais nada menos que imposição feita pela própria necessidade de J Humberto Henriques de buscar a perfeição dos versos, o experimentalismo anterior passa a ser no autor uma questão de somenos. Já acontece em suas criações o domínio virtual daquilo que produz.

Não necessariamente um domínio absoluto, mas suficiente para trazer à tona a riqueza de certos detalhes em Poesia que, seguramente, passaria desapercebido se acaso não houvesse a possibilidade do uso da computação.

Então, podemos dizer que há duas fases distintas na obra do escritor, uma anterior ao computador e uma bastante mais atual, aquela dependente dos sistemas.

Quando questionado sobre isso, a reposta é sempre a mesma. Ele diz que isso aconteceu em sua obra, porém, há de ter acontecido em vida de todos aqueles que não vivem numa masmorra ou perdidos em jângal.

É a veracidade que se impõe com a evolução de todos os métodos de inteligência e dos desafios propostos por eles, aquele desafio mais ousado, que diz que a partir desse momento, já que foi descoberto o caminho para determinada fuga, então que se fuja por ele e que se abram novas sendas para a busca e a pesquisa.

Em Poesia acontece a mesma coisa. Não pode haver estática nesse processo de criação, sob pena de haver um retrocesso grande no poder de verificação da Estética.

Vigília sempre constante, o diluído de toda a versificação se incorpora às obras e mostra a purificação desses versos incomparáveis. Mau-Mi-Quer é um livro no mínimo interessante.

Examinado somente pelo título que o carrega, dá a impressão de uma bonomia extraordinária a quem tem mais de cinquenta anos de idade e já desfolhou a flor enquanto jogava as pétalas no chão, a repetir o refrão, bem-me-quer/malmequer.

E os mais jovens vão ficar sabendo o que é esse refrão, um sinal de busca amorosa que ficava entalado nas raparigas mais bonitas de qualquer aldeia que esteja encravada no coração desse mundo de esperanças.

Há uma exclamação perfeita de todos esses poemas. Retirados como se fosse do nada, expressam um conteúdo sempre vigilante. Do ponto de vista da Arte mais elaborada, mostram a sua complexidade sintética todos os versos que J Humberto Henriques traz a esse manancial que se chama compêndio de poesia.

Sua obra se põe a cada dia mais alarmante e o conteúdo de mantém em alto nível. Muitos pensam eu a qualidade cai com a quantidade de livros publicados, mas isso é um engando muito errático. Ledo engano.

A manutenção da qualidade literário, a fuga da coisa chamada ordinária, a equalização dos movimentos de vanguarda e toda a jovialidade desse poeta fazem dele um ícone na Literatura Universal. Uma boa proposta para análise sistemática da Literatura Brasileira.

Quando o poeta publicou O Livro das Águas e O Úbere da Cidade, isso nos idos do fim do século que passou, portanto, há mais de vinte anos, ninguém poderia imaginar que j Humberto Henriques fosse ultrapassar a estupenda meta de mais de 350 livros publicados. E isso aconteceu, embota tenha havido de sua parte a necessidade de encerramento com o decanato Epopeya. Porém, são conversas para outro

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