Mariana queima no inferno

Por Guilherme Junqueira

Sobre o livro

Mariana sempre foi uma menina estranha, só usa roupa preta, é apaixonada por Ozzy Osborne e tem um gato chamado Asmodeus. Sem amigos para comemorar seu aniversário de 15 anos e vítima de bullying dos seus colegas da escola ela decide abandonar o mundo “real” e orientada por sua avó, Madame Fausta ( uma bruxa que vive dentro do espelho do seu quarto) ela se rende de corpo e alma para de sua verdadeira natureza.

TRECHO:

(…)

– A verdade, meu bem, é que durante a idade média, para subjugar a fêmea, por medo e por orgulho, o macho demonizou a figura da mulher e se estabeleceu, junto ao patriarcado e ao santo ofício, uma era de pura ignorância e confusão entre o que era sagrado e o que era profano. E a mulher passou a ser vista como consorte do demônio e, a ela, o único caminho possível era a fogueira.

– Tempos difíceis não! – disse Mariana com um sorriso amarelo, na tentativa de quebrar a tensão. – Ainda bem que já não vivemos mais assim.

– Aí que você se engana – disse Fausta Fortuna – “Mariana queima no inferno” não foi o que os meninos escreveram do lado da cantina?

– Sim.

– Enquanto nós existirmos, não só como mulheres, mas como as bruxas que somos, Mariana, também existirão os nossos algozes, os caçadores de bruxas, que nos perseguem à luz dos tempos modernos. A inquisição está lá fora, solta nas ruas, dentro da sua escola.

Um silêncio sepulcral caiu sobre as duas.

– Eu gostaria de aprender mais. Mariana disse quase implorando. – Me iniciar

– Há um modo, criança – a caveira falou, enquanto suas mãos cruzadas sobre o peito se abriam lentamente. – Se na noite da próxima lua em touro você fizer um sacrifício, me trouxer o sangue de quem você mais ama – a matriarca estendeu um cálice dourado –, uma única gota já me basta.

Mariana pareceu chocada.

– Um sacrifício!

–Sim, e isso é imprescindível.

– Meu aniversário é junto com a lua em touro, faço quinze, um dia antes de ser mandada para o colégio interno.

– Meus pêsames, a juventude é realmente um fardo. Ela disse debochando. – , mas se você realmente deseja ser uma bruxa precisa me trazer esse sacrifício, não existe uma nova vida sem uma pequena morte.

(…)

SOBRE O AUTOR:

GUILHERME JUNQUEIRA é dramaturgo, poeta, diretor de teatro e instrutor de Yoga.

Convidado para o panorama de poesia contemporânea da 26ª edição do Festival Mix Brasil, na estreia do Mix Literário, o autor já participou de relevantes oficinas de criação literária e sua obra no teatro já foi apontada pela revista Veja SP como um dos destaques da nova dramaturgia paulistana.

É autor dos livros “Suicida Rock`n Roll” (romance) editora Giostri 2010/, “Intrigas Augustas” (novelas), editora Maçã de vidro 2013/ “Eclipse” (poesia), editora Córrego 2016/ e “Shadowplay” (poesia), ateliê Leonella 2018.

Na plataforma AMAZON o autor publicou a novela de época “Serpentes no Paraíso” e a série de contos LGBT “Fábulas Fálicas”

Contato: [email protected]

instagram:@fabulasfalicas/ guilhermejunqueira.autor

facebook.com/gjunqueira2

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