Sobre o livro
Poesia Insone. São tempos difíceis. Nomes santos abrigam conflitos pagãos, crianças crescem séculos horizontais por centímetro vertical enquanto adultos acovardados se escondem em abrigos de proteção antifraterna. Nisso tudo e em mais um pouco, há quem construa poesia visceral, intestina, arregalada. Poesia insone. Poesia que lateja. Quem na poesia
busca o belo, querendo acreditar que a beleza da poesia é o lamber superficial de um arco-íris metamorfoseado no arco da íris, que mantenha distância da marginalia desnuda que aqui se revela. Porque poesia é muito mais, é feita de sofrimento,
é parto, é ruptura, sangra, é escarro e é esporro. São tempos de pura poesia. Cada poema é faca, é navalha, é porrada, é tiro e sangue. Sobe o morro, desce o asfalto, paquera a puta, passa fome, fuma e cheira. Olha um lado e mede o outro e se vê
encurralado no meio do tiroteio. Coisa de pobre, vida de preto, esse gole de cachaça, a ameaça de morte, tudo arrumadinho no papel, até com rima e coisa e tal. Cuidado. Poeta que é poeta opera sem anestesia: a gente nem sente, e quando vê já
embarcou…
Cyana Leahy
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