Sobre o livro
Nosso intuito com esta obra é introduzir ao maçom e ao leitor de forma geral um pequeno debate em torno da “Transição da Maçonaria Operativa para Maçonaria Especulativa” e seu contexto histórico de transformação, bem como as razões para a Maçonaria ser o que é nos dias de hoje.
A obra é um texto rápido e com breves referências a alguns dos mais importantes estudiosos sobre o assunto. A Europa, especialmente Escócia, França e Inglaterra foram berços da Maçonaria chamada por alguns autores de “Especulativa”, embora pra mim seja mais racional o nome de Maçonaria Moderna.
Pois “Especulativa” não espelha realmente o que aconteceu com a Ordem e o conceito de especulativa não se encaixa muito nos acontecimentos históricos. Entretanto muitos maçonólogos e historiadores deram esta alcunha.
Recebendo Judeus, Cristãos, budistas e Mulçumanos de várias tendências e espiritualistas ou esoteristas de várias linhagens a Maçonaria Operativa não era mais tão somente cristã e restrita a grupos (guildas) de construtores.
Passa então por um processo de mudanças profundas de aglutinação, sincretismo e acomodação de teorias, deixando de ser restrita a alguns cristãos para ser universal, plural e eclética.
É claro que neste processo entra-se vários elementos sincréticos de uma variedade de culturas, pressupostos espirituais e filosóficos. Principalmente aqueles oriundos das antigas Ordens Secretas ou Esotéricas Iniciáticas há milênios de anos anteriores à maçonaria. Mas, antes de tudo, aprendamos.
Aprendamos o que é a Ordem em sua essência, quais foram suas verdadeiras origens; o significado da Iniciação Simbólica pela qual fomos recebidos; a Filosofia Iniciática da qual provêm os elementos, o estudo dos primeiros Princípios e dos símbolos que os representam; a tríplice natureza e valor do Templo alegórico de nossos trabalhos e a sua qualidade; a palavra dada para uso e que constitui o Ministério Supremo e Central.
Receberemos assim o salário merecido como resultado de nossos esforços e tornar-nos-emos obreiros aptos e perfeitamente capacitados para o trabalho que de nós será exigido. Avante pois! Do autor.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS Relativamente sobre o início da Maçonaria Especulativa[1], ou seja, a transição da Maçonaria operativa[2] para comumente chamada Maçonaria Moderna[3], a tese mais estudada, discutida e partilhada quer pela esmagadora maioria da documentação maçônica existente, quer entre os historiadores Maçons e não Maçons, é a chamada “Teoria da Transição”[4], que preconiza a passagem gradual das anteriormente chamadas de Lojas operativas a Especulativas.
Segundo a maioria, este processo gradual se deu, devido às transformações econômicas e sociais que levaram ao declínio das grandes construções medievais, a partir do Renascimento[5].
Deste modo, indivíduos estranhos ao ofício das construções, provenientes da nobreza e com importantes cargos civis ou intelectuais de prestígio, movidos por interesses especulativos de base neoplatônica[6], religiosa, gnóstica, alquimista ou Rosa-Cruz, teriam efetuado uma entrada progressiva nas lojas operativas em estado nascente, aproveitando as estruturas criadas e os rituais praticados, para desenvolverem os seus objetivos ou por se sentirem mais integrados no contexto intelectual e social da época.
Posteriormente foram intitulados de “maçons livres e aceitos”[7]. Não seria mais os construtores (trabalhadores de canteiros de obras termo designado com maçom), mas construtores da sociedade.
[…]. Notas em anexo no final do livro.
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