Lima Barreto: Romances Completos (Annotated): Edição crítica com ensaios e ortografia atualizada

Por Afonso Henriques de Lima Barreto

Sobre o livro

Lima Barreto escreveu sobre o Brasil que o Brasil preferia não ver. Esta edição reúne os cinco romances completos — e dois ensaios que explicam por que ele ainda incomoda.

Afonso Henriques de Lima Barreto (1881–1922) foi um dos maiores prosistas brasileiros e um dos mais sistematicamente ignorados em vida. Negro, pobre, funcionário público, alcoólatra confesso — e um escritor de precisão cirúrgica sobre a hipocrisia da República recém-inaugurada. Cem anos depois, sua ficção continua a funcionar como diagnóstico.

Recordações do Escrivão Isaías Caminha — um jovem do interior chega ao Rio cheio de esperança e encontra uma redação de jornal onde o talento importa menos que a origem. O primeiro romance de Lima Barreto é também o seu mais pessoal e o mais cortante.

Triste Fim de Policarpo Quaresma — um patriota ingênuo que acredita de verdade nos ideais da República é destruído precisamente por essa crença. O romance mais famoso de Lima Barreto — e uma das sátiras políticas mais ferozes da literatura brasileira.

Numa e a Ninfa — bastidores do poder parlamentar, casamentos de conveniência e a política como teatro do absurdo. Lima Barreto disseca a classe política com a crueldade discreta de quem a observou de perto demais.

Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá — um funcionário público que envelheceu sem ilusões percorre o Rio de Janeiro falando sobre tudo e não chegando a lugar nenhum. O romance mais quieto e, talvez, o mais filosófico de Lima Barreto.

Clara dos Anjos — uma jovem mulher negra dos subúrbios cariocas é seduzida e abandonada por um rapaz de família. O último romance de Lima Barreto é também o seu mais amargo — e o que menos deixa saída para o leitor.

✦ Ortografia atualizada conforme o Acordo Ortográfico de 1990, sem alterações no texto original.

Esta edição contém também:

✦ O Brasil Impossível: Lima Barreto e a Ficção da Modernidade Republicana — ensaio crítico de Henry Bugalho que examina como Lima Barreto construiu, romance a romance, uma contra-narrativa da República brasileira: não o país que se queria ser, mas o país que se estava sendo.

✦ A Inscrição da Ferida: Lima Barreto e a Escrita como Destino — segundo ensaio crítico sobre a relação entre a biografia do autor e sua obra. Por que Lima Barreto escrevia? O que a escrita custou a ele? O que ela nos legou?

✦ Edição organizada e prefaciada por Henry Bugalho.

Para leitores que gostam de:

✦ Literatura brasileira do século XIX e início do XX — Machado de Assis, Euclides da Cunha, Graça Aranha ✦ Realismo crítico e sátira política ✦ Romances que falam de raça, classe e poder sem precisar anunciar que estão falando disso ✦ Clássicos com aparato crítico que contextualiza sem infantilizar

Lima Barreto morreu em 1922 sem reconhecimento. Esta edição é uma forma tardia de acertar as contas.

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