Lagoa dos Cavalos: A vida do padre Diogo Antônio Feijó – 1784–1843
Por José Carlos GentiliSobre o livro
O leitor leu poucas páginas de Lagoa dos Cavalos e já sabe que o menino, nascido no primeiro capítulo e batizado no segundo, é filho de padre. Criado e educado por mulheres amancebadas com padres, ele será padre também.
Estamos falando do padre Diogo Antônio Feijó, inquieto personagem desta narrativa cativante da conturbada história do Brasil. Mente-se já na pia batismal, quando o celebrante declara que o menino é filho de pais incógnitos, entretanto presentes ao acontecimento inaugural de sua vida católica.
Desde há algumas décadas está comprovado que o padre Diogo Antônio Feijó é filho ilegítimo do cônego Manuel da Cruz Lima, de Curitiba, ou de outro padre de nome parecido: Félix Antônio Feijó.
José Carlos Gentili, baseado em documento histórico que ninguém põe em dúvida, diz que a mãe do padre regente do Império do Brasil não é a viúva Maria Gertrudes de Camargo e, sim, a irmã dela, Maria Joaquina Soares de Camargo.
O arranjo para o batismo tinha sido feito pelo padre Fernando Lopes de Camargo, irmão delas. Certamente os leitores notam que também os mortos não são sempre os mesmos.
Se com os mortos dá-se isso, imagine com os vivos, que vivem a retificar suas biografias, mesmo depois de fixadas em livros precoces.
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