Ídolos de Áreia: Como a modernidade tentou preencher o vazio de Deus

Por Marcelo Goulart Floriano

Sobre o livro

Há perguntas que não envelhecem. Elas atravessam os séculos, as revoluções, as tecnologias. Permanecem, silenciosas, à margem das conquistas visíveis. Entre elas, uma se destaca com uma força quase incômoda: o que fazemos com o vazio que sentimos?

Este livro nasceu da percepção de que a modernidade, com toda sua velocidade, consumo e promessas de liberdade, não eliminou o vazio humano. Apenas o mascarou. Substituiu o sagrado por performances. Trocou o silêncio por algoritmos. Preencheu o invisível com urgências.

E, nesse movimento, não eliminou a sede de sentido, apenas a tornou mais difícil de nomear. Ídolos de Areia não é um livro sobre religião. Tampouco é uma crítica moral ao mundo moderno.

É, antes, uma tentativa de compreender o que nos move em um tempo que oferece tudo, mas entrega pouco quando se trata daquilo que é essencial. É uma reflexão sobre os ídolos que fabricamos, não como objetos de adoração, mas como símbolos do que desejamos desesperadamente que preencha o que nos falta.

Cada capítulo é uma lente diferente. Um ponto de observação, uma fresta, um espelho. Fala-se aqui de consumo, de imagem, de desejo, de silêncio, de solidão, de espiritualidade não institucionalizada, de política transformada em dogma, de ciência elevada a fé. Fala-se, sobretudo, de humanidade.

Daquilo que nos torna humanos quando o espetáculo acaba, quando as luzes se apagam, quando ninguém mais está assistindo. O título faz um jogo. “Ídolos de Areia” remete à linguagem do futebol, onde o ídolo é aquele que resolve, que entrega, que salva.

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