Hibiscos em Jardim de Bordel

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Sem querer ser muito engraçado, eu sempre supus que algumas imagens como título de livro revelam a heterodoxia do escritor. Esse livro revela o mesmo tempo de Porta-retratos para Carlos Zéfiro e A Casa de Etelvina. Esses são livros de poesia, livros escritos por um talento incomparável.

Todos eles traduzem essa emancipação humana, mormente para o sexo masculino. A Casa de Etelvina poderia ser esse bordel com jardim e hibiscos nele.

Na minha opinião, esta imagem é absolutamente incomparável porque traduz com realismo fidedigno um jardim de bordel, o mais tristonho e melancólico que poderia existir sobre a face da terra, partindo do princípio que em jardim cultivam-se flores e não eravas daninhas.

Nesse caso, a flor escolhida foi o hibisco. E não foi à toa que isso aconteceu; toda palavra na obra de Henriques tem uma serventia perfeita e inadiável.

A se imaginar bem, aqui estão inseridos vários de seus livros. Como acontece mesmo na peça de dramaturgia, A Casa do faisão Dourado, e a pequena novela, A Causa de Divininha Rapa-de-Tacho, todos esses livros são dividendos do mesmo Hibiscos em Jardim de Bordel.

Deve ser lembrado também que todas estas obras estão publicadas devidamente pela amazon.com/kindle e podem ser visualizadas a qualquer momento pelo leitor interessado. O que estamos a tratar aqui é do tema.

Pois que, houve um tempo em que Humberto Henriques dedicou seus livros à vida das outas todas desse mundo. Por exemplo, o romance, Certos sigilos da Rua Krüger, outro monumento das letras que fez justiça a elas. O tema é sempre recorrente em sua obra.

Porém o mais moderno é O relatório Peña, um livro que trata da prostituição digital ou internética. Esse livro é uma obra-prima da Literatura Universal e não deveria ser desconhecido do grande público.

Então, Hibiscos em Jardim de Bordel traduz aquele clima de nostalgia que pode nascer mesmo de casas dedicadas a prostibulo. A referência é perfeita e busca traduzir essa real nostalgia deum tempo que não existe mais, pelo menos não dessa forma.

A liberação que aconteceu nos anos subsequentes e a revitalização doas áreas urbanas expurgou dessas proximidades de região central essas casas de promiscuidade. Porém, deve ser sempre imaginado um pé de beijo, o hibisco vermelho, coalhando uma parte de certo jardim de putaria.

Um dia, alguma das tias deve ter plantado o arbusto, quem sabe adquiriu a casa com ele já plantado, instalou o seu comércio e esperou o tempo passar. Ninguém mais cuidou daquilo. Quando chegam os meses de chuva, de outubro em diante, revigora-se a planta.

Quando é época de inverno, ela murcha e as flores desaparecem. Esqueléticas. A poeira se assenta sobre as pétalas, as que sobraram e dão ao mês de maio esse sinal de debilidade no jardim diante do bordel. Se um bordel tem flores, deve ser o hibisco.

Segundo podemos inferir a partir desse título que mesmo seria plausível se escrever outro livro a partir disso. Emblemático da forma como soa, um jardim de bordel é uma imagem que não se desgarra jamais décadas passadas.

Esses bordéis eram relativamente bem frequentados, porém, sempre sujeitos a uma dimensão terrível da existência. Houve uma época que os mais centrais, mormente se estavam localizados perto de igrejas, foram tangidos para longe. Depois, para mais longe.

Depois, com o desaparecimento das proprietárias e seu cansaço, acabaram por se consumir. Não era mais necessário se pagar por mulheres. Pelo menos do ponto de vista teórico ou e casas onde medrava o hibisco.

O título desse livro, por si só, já pressupõe a avaria imposta pela imagem de se haver flores vermelhas, como o hibisco, ou mesmo chamado de beijo, em um jardim de bordel. Entretanto, não se resume nisso a história literária desse momento.

O que acontece é que nesse livro Humberto Henriques conduz a poesia de uma maneira exemplar, espetacular, perfeita. A tradução especiosa de um mundo encantado e muito sujeito à interpretação poética, da forma como dissemos em nossa palavra anter

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