Guardados de Dona Isolda

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Um livro soberbo e que demonstra toda a capacidade inventiva desse magistral poeta, Humberto Henriques. Estamos diante de uma poesia madura, traduzida em passos como em João Cabral de Melo Neto, toda ela construída a partir da gestão imposta pela palavra e tão somente.

Quando se pensa numa poesia assim, altamente sintética e objetiva, é possível se entrever ainda nas entrelinhas o grande estilo que consagrou o autor. Não temos, diante de muitas expectativas, como eleger a obra-prima dos visuais do autor. Ela, tal obra, é uma nuvem em constante movimento e evolução.

Talvez seja esse tema, essa possibilidade, que faz com que o poeta se insira mais uma vez no grande objetivo da produção constante. A descoberta parece fascinar o escritor até o centro de seus objetivos maiores, esta ideia de proclamar o texto poético como maiúsculo.

Sempre nos parece oportuno e bem estabelecido citar, incluir e ensejar as palavras do glorioso crítico Guido Bilharinho em nossas opiniões. Esse texto enriquece sobremaneira a nossa impressão sobre a Poesia e Poetas.

Assim diz Guido na Revista Eletrônica PRIMAX número 9, dezembro de 2021 – Uberaba – MG – Brasil.

O poema nasce e flui, às vezes com maior ou menor dificuldade expressional (circunstância que qualitativamente nada significa), ao influxo et pour cause da necessidade (comumente denominada “inspiração”) de se extravasar, expressar ou verbalizar sentimentos, emoções e ideias.

O que não constitui poesia. Quando de boa qualidade, não passa de prosa. Normalmente, não é nada. A não ser produto pessoal e subjetivo de e para efeito catártico. Ou seja, quase tudo que se escreve e se publica, no gênero. E que passa, equivocadamente, por poesia, arte. Que não é. E nunca será.

Ideias, sentimentos, emoções, pensamentos, acontecimentos, etc. não constituem arte. São o que são: ideias, sentimentos, etc. O que não é pouco. Mas, é outra coisa. No segundo caso, a poesia, como toda obra de arte, é produto estético.

Destinado a proporcionar prazer estético e não a ser mero veículo ou instrumento emocional e ideológico. Resulta e é trabalho ao nível da e sobre a linguagem.

É a arte da palavra, o que implica justamente em se utilizá-la apenas com a finalidade contida e expressa na própria definição: sua elaboração artística para propiciar prazer estético.

Em consequência, e por exclusão, tudo que não seja, nesse contexto, elaboração artística da palavra, com objetivo de construir obra de arte e produzir prazer estético, não é poesia, não é arte. “Poesia se faz com palavras e não com ideias”, informa Mallarmé (França 1842-1898).

“A inspiração consiste em trabalhar todos os dias”, afirma Baudelaire (França, 1821-1867), significando que sem trabalho e elaboração de texto não é possível haver arte.

Em “Procura da Poesia”, Carlos Drummond de Andrade (Brasil, 1902- 1987), mostra o que não é poesia indica onde encontrá-la: “o que pensas e sentes, isso ainda não é poesia […] penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos” (grifos nossos).

O fato de, ao dizer isso, estar Drummond fazendo prosa e a circunstância de que normalmente não seguiu seu próprio conselho, confirmam, ao invés de invalidar, a pertinência de sua reflexão.

Pois que sempre nos pareceu muito importante a visão sem vícios de um crítico renomado, como é mesmo o caso de Guido Bilharinho.

Essas palavras ditas dessa forma parecem-se bastantes e suficientes para banir um pouco da ilusão poética e da desilusão/não/poética que grassa nas fileiras dos versejadores muito numerosos que compõem as fileiras dos sonetistas e trovadores de todos os becos.

Sendo assim, prima a Poesia pela busca constante da renovação. Ou deveria primar, já que é quintessência e sendo quintessência, aufere à Literatura sua flor mais complexa e sagrada. Henriques busca a perfeiç

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