Sobre o livro
Para ser um filósofo é necessário conhecer e possuir sua correspondente “ideologia”, ou seja, ter um conhecimento crítico analítico frente às outras grandes áreas do conhecimento, dominar a “epistemologia” das coisas e ter uma prática baseada em uma “doutrina” consistente com o conhecimento que deseja adquirir.
Esse sempre foi meu objetivo, desde que iniciei meus estudos em Medicina, me formando na área e, posteriormente, me especializando em Patologia Clínica, Epidemiologia e Biologia Molecular.
Portanto, este livro não é o livro de um médico que decidiu contestar a Bíblia, e, sim, o livro de um pensador que deseja que o leitor organize seu conhecimento, consultando, além da Bíblia e deste livro, vários índices de livros afins e construa seu próprio índice. Essa sempre foi minha forma, enquanto profissional de saúde e professor, de levar meus aprendizes a pensarem e criarem suas próprias interpretações.
Se há o que contestar aqui, claramente é a religião, o que é diferente de contestar Deus. Acredito que as gerações futuras vão acordar para as incoerências das liturgias e outras convenções religiosas que sempre foram contrárias à evolução.
Penso que, no futuro, haverá por parte do homem um protesto contra as religiões. As religiões distorcem toda a espiritualidade que é inata ao homem.
O homem ganhou, num certo momento, por obra da divina bioquímica (ou Deusa Bioquímica, como costumo chamar), a imanência e, consequentemente, a transcendência.
Isso quer dizer que o bebê humano nasce com a psicoenergia da imanência e ele deve ter a liberdade para essa imanência, que corresponde ao seu espírito, e que exige um comportamento espiritual e individual da pessoa.
Para ficar mais claro, vamos procurar entender o que separou o homem do macaco. Foi através da evolução das espécies que o homem ganhou o neurônio psíquico, gerador de energia psíquica.
Esse grupo de neurônios emite um espectro de ações que vai além da mente, das limitações do corpo físico, que é o que chamo de “imanência”.
A imanência é essa energia quando estamos incorporados, ou seja, ligados ao corpo físico; e transcendência é quando estamos livres, ou seja, quando a energia está fora do corpo físico.
Portanto, o neurônio psíquico pertence ao gênero Homo e a psicoenergia refere-se ao processo bioquímico de síntese de proteínas particulares e peculiares na criação energética, como espectro de ação, e o recém nato a traz em si.
Com a morte do corpo físico, defendo que, sendo bioquímica, essa psicoenergia pode ganhar dimensões universais com a ação da gravidade, tornando-se uma peregrina cósmica. Pode se dissipar com o corpo ou fundir-se às formas maiores espirituais, tornando-se partícipe do sincretismo cósmico.
Esta minha constatação é o que me faz afirmar que é bioquímico o processo de procurar um Deus – assim como é bioquímico o processo de procurar uma divindade, procurar algo superior ou algo que explique o que estamos fazendo aqui. É bioquímico perguntar a si mesmo: “Onde estou? Para onde vou?” Isso é tão bioquímico quanto individual.
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