Fundamentos para uma Psiconeurologia: A fenomenologia subjetiva nas relações humanas

Por Sérgio Spritzer

Sobre o livro

Não importa saber apenas como a sua NEUROLOGIA afeta você, mas também como

VOCÊ afeta ela.

Isso é Psiconeurologia.

Existe uma imensa quantidade de investigações, pesquisas e avanços tecnológicos importantes demonstrando como a nossa realidade física orgânica e cerebral afeta as nossas vidas. Aprendemos e vamos continuar aprendendo como a realidade física poderá nos oferecer mais saúde e bem-estar.

Mas isso é só uma dimensão da realidade. O modo como agimos no mundo pode tanto gerar mais saúde, como alterar nossa saúde e a dos outros, como é o caso do uso excessivo de agrotóxicos e a emissão excessiva de poluentes.

Quando desenvolvemos o poder de construir bombas atômicas e outros equipamentos capazes de destruir a nossa existência e a dos outros, precisamos colocar em primeiro lugar o conhecimento de como pensamos, sentimos e imaginamos.

Não somos passivos à realidade física. Ao contrário, somos responsáveis pelo que fazemos, imaginamos e sentimos de si e dos outros.

Esse dar-se conta de si e dos outros é relativamente antigo e precisa continuar…ou

nós paramos.

“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.” – Sócrates

1.Eu reconheço a minha existência por ser auto evidente para mim.

2.Eu conheço a sua existência, tendo como referência a minha.

3.Eu reconheço a nossa existência por uma composição entre o modo como eu represento a minha, a sua e a nossa.

4.O modo como você representa a sua para si, a minha e a nossa, a gente não tem

como saber a não ser compondo sentidos ao interagir.

5. Realidades subjetivas são tão verdadeiras como as objetivas. Isso oferece novos

sentidos com efeitos reais.

A experiência humana, seja ela qual for, é um fenômeno visto, ouvido e/ou sentido.

Se você percebe uma experiência como imaginária, real, verdadeira ou falsa, distorcida ou correta, fantasiosa, são outras questões. A primeira não é uma questão e sim um fato: Você percebe. A segunda é como interpreta aquilo que percebe.

Existem pelo menos duas formas de acessar fenômenos:

A introspecção, voltando a consciência para “dentro” de si e por extrospecção, voltando-se para fora de si, considerando a realidade externa a si. A máxima de Sócrates se aplicaria ao autoconhecimento e ele vai dar sustentação a toda uma tendência cultural no ocidente tendo a pessoa (indivíduo) como centro causa e meta da vida familiar, social e laboral.

Assim não é nada estranho a ênfase no autoconhecimento e na valorização da figura do herói em nosso dia a dia. Em culturas orientais observa-se outra tendência de valorização do coletivo, ficando o eu subordinado a um Nós ancestral, mais importante que ele.

Nosso trabalho procura examinar como realidade interna de cada pode se compor com a realidade interna de cada outro resultado em um Nós que é bem mais do que um reconhecimento da história ancestral de si e do outro, focando em uma composição de desejos e expectativas em comum, liderando ações voltadas para cenários futuros possíveis de serem vividos em conjunto por todos.

Esta aspiração aparece em nós ocidentais na letra da música “Imagine” de John Lennon, o ex-Beatle, no slogan de M. Luther King em seu último discurso: “Eu tenho um sonho”. Ambos falavam de um Nós possível pela implicação de diferentes “Eus”. Por coincidência ou não, ambos foram assassinados por indivíduos que pensavam diferente.

A realidade pode ser conhecida pelo menos de duas formas: por introspecção (O clássico “Conhece-te a ti mesmo”) e por extrospecção, o que corresponderia ao conhecer o Outro e as Coisas do mundo para saber de ti.

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