Sobre o livro
Herman Bavinck publicou seu pequeno livro Fundamentos da Psicologia (Beginselen der Psychologie) em 1897, enquanto ainda preparava a primeira edição de sua Dogmática Reformada (Gereformeerde Dogmatiek).[1] Parece que ao menos três motivações impulsionaram a produção desta obra.
Em primeiro lugar, Bavinck mantinha, já há bastante tempo, um vínculo estreito com as “escolas com a Bíblia” (scholen met de Bijbel), as escolas cristãs surgidas a partir do renascimento calvinista das décadas anteriores.
A educação e os professores, evidentemente, dependem fortemente da psicologia para a prática pedagógica e a gestão da sala de aula.
Como Bavinck frequentemente palestrava nesses ambientes e escrevia artigos voltados às suas preocupações, ele percebia com facilidade a necessidade de uma psicologia que estivesse em conformidade com a educação cristã.
Um segundo motivo está relacionado ao psicologismo então dominante no pensamento europeu. Bavinck também compreendia que a existência humana se expressava por meio de uma estrutura psicológica. “A psicologia possui grande importância para todas as ciências”, afirmou.
O filósofo alemão Wilhelm Dilthey tinha uma percepção semelhante. Em sua obra de 1894, Ideias para uma Psicologia Descritiva e Analítica,[2] Dilthey buscava fundamentar todas as ciências humanas na psicologia. Para ele, a psicologia era a ciência de base.
O psicologismo estava no ar, e Bavinck era sensível a essa movimentação intelectual. Suas citações na primeira edição (omitidas na segunda) mostram amplo alcance histórico.
Embora tenha usado principalmente fontes alemãs, Bavinck também citou diversos autores franceses e ingleses — incluindo o americano William James.
A correspondência com Abraham Kuyper sugere um terceiro motivo para o interesse de Bavinck pela psicologia. Em 1897, a Dogmática de Bavinck alcançava o ponto em que a doutrina sobre a natureza humana seria abordada.
A troca de cartas com Kuyper indica que Bavinck preferia tratar desse assunto em uma obra separada, de leitura mais acessível ao público, em vez de incluí-la nos quatro volumes da Dogmática.
De fato, escrevendo a Kuyper em 20 de setembro de 1897, a respeito da Dogmática, Bavinck afirmou: “Creio que escreverei mais dois volumes. E, ainda assim, preciso limitar o conteúdo a cada passo. A doutrina do homem está incompleta.
Por isso, dentro de alguns meses, publicarei uma pequena obra separada: Beginselen der Psychologie. O manuscrito está pronto e as primeiras provas já foram compostas”.
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