Sobre o livro
Estamos agora diante da convenção estipulada pelas vontades de um poeta em ceder ao fluxo criativo e interromper aqui e agora a sua função de criar versos. Uma situação delicada e diferente em toda a história da Literatura Universal.
Para isso, o poeta propôs a si mesmo encerrar de vez a coisa – já que ainda havia muito substrato poético a ser trabalhado em suas vontades – com a escritura de dez livros de poesia, a escrita em sete idiomas distintos.
Com isso, estaria muito bem engendrada a arte final e mesmo o gran finale dessa obra poética majestosa. Mas isso é uma situação sui generis em existência de qualquer escritor inda produtivo. Não se tem na história da Literatura algum caso semelhado.
Esse desarranjo é alguma coisa de suma inconstância e inconsistência.
Dois motivos principais podem sugerir as razões para esse acontecimento. O primeiro deles pode ser em função da grande produção poética do autor. Fato esse que seria o acionador de criação já criadas. Isto é, risco de cair na repetição e na poesia sem mais o mesmo impacto das obras anteriores.
E num perseguidor de grandes coleções e obras cada vez mais perfeitas, como é o caso de José Humberto Henriques, isso seria inadmissível.
O autor sempre primou pelas obras cujo fim e causa estão sempre a se afastar do poema ordinário, aquele que traz a palavra em estado de modernismo ainda, a fluidificação de tudo que desanda sobre uma página, tem o efeito exato da prosa sem rimas e sem frases retas, mas que não deixa de ser posto sob o incauto auxílio do formato do verso.
Mas que não é verso, é prosa, mesmo que de boa qualidade, continua sendo prosa. Se por acaso for espichada sobre a página, vem a ser um ditado perfeito proposto em sala de aula pela professora de “língua pátria”. Esse pode ter sido o primeiro motivo da interrupção.
O segundo motivo diverge desse primeiro. E esse o motivo que o autor alega. Pode ser bastante plausível. Mas também pode ser que a associação dos dois seja a razão desse evento diferente entre escritores conhecidos.
J Humberto Henriques alegou, quando solicitado sobre a questão, que ia deixar de escrever poesia porque tinha interesse em se dedicar, doravante, somente aos seus ensaios. E afirmava que tinha um empenhado consigo mesmo, um ensaio bombástico sobre a obra de Honoré de Balzac.
E se ainda não começara esse trabalho, justamente porque o tempo estava a cada dia mais escasso. Muito gente sabe que o escritor é médico e ainda em plena atividade, apesar de estar retirado do serviço público pela aposentadoria. E sempre o tempo, apesar de todos os critérios, deveras é vilão.
Pelo visto, o que se pode deduzir é que Epopeya redundou nas duas razões para ser tido como projeto real. Entretanto, com o tempo, todo o decálogo, todo o esboço e consecução desse grande volume de poesias se transformou em nome variegado. Não existem mais os nove volumes de Epopeya.
José Humberto Henriques manteve somente o primeiro volume com esse nome. Os nove volumes restantes sofreram essa mudança e estão aí, estampados em toda a grade virtual da amazon.com/kindle.
Para se saber quais os livros foram um dia Epopeya, de 2 a 10, basta que seja consultado a apresentação de cada um, sua sinopse.
Todavia, isso parece ser um estudo meticuloso e que servirá um dia aos acadêmicos interessados na analise dessa obra gigantesca. J Humberto Henriques confessa que manteve os números nas sinopses com tal finalidade, se é que algum dia a alguém interessar possa.
Então, olhando o fato por outro lado, Epopeya, esse do qual agora se trata, é um livro denso, moderno, com afinidade poética com a vanguarda. Uma vanguarda que o próprio poeta cria e embala. Boa parte dos poemas é feita com a fusão do computador com a inteligência genética do poeta. O resultado é esse livro soberbo. A se dizer que Epopeya 1 virou somente Epopeya.
E foi assim que ficou situado. Muito mais palatável, diz o poeta. A história se resume nesses pequenos dados jogos ao léu.
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