Ecos em Santo André: As Vozes do Parque: Onde o Familiar se Repete

Por Hugo Bustilho

Sobre o livro

Na rotina do Parque Central, em Santo André, correr é um ritual simples: duas voltas, alongamento, casa. O cheiro de grama molhada, as crianças nos brinquedos, os casais passeando — tudo parece conhecido demais para esconder qualquer ameaça.

Até que, numa noite comum, uma mulher acena para Hugo… e desaparece antes que ele possa piscar. Nos dias seguintes, o parque começa a repetir seus frequentadores como cópias imperfeitas: rostos familiares, sorrisos idênticos, gestos ensaiados. Primeiro são sumiços.

Depois, vozes que chamam seu nome com intimidade antiga. Em pouco tempo, as presenças passam a reproduzir frases que ele disse ao telefone, entonações, risadas — como se estivessem aprendendo a ser gente. Como se estivessem treinando.

Quando o impossível atravessa o limite do parque e invade sua própria casa, Bustilho entende que não se trata de assombração, mas de algo que observa, memoriza e substitui. E, na noite em que o parque se dobra sobre si mesmo, ele descobre que talvez não exista saída — apenas a ilusão dela.

Ecos em Santo André é um conto de horror urbano sobre a fenda que se abre no cotidiano… e o que volta por ela usando o seu rosto.

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