Dobrão De 20 Dobras E A Numária De Leão E Castela

Por Adeilson Nogueira

Sobre o livro

Castela era o coração da Espanha. Seus soldados foram os que mais ativamente combateram os árabes. Seu dialeto foi o que se tornou língua nacional. E em Castela forjou-se o temperamento característico do povo espanhol.

A Peça de 20 dobrões de João II de Leão e Castela (1405-1454), representa parte dessa história tão rica. Em uma das faces, a figu¬ra do rei, ostentando a armadura de cerimônia e montando um cavalo com adura de ferro pro¬tegendo o peito). No verso da moeda, caste¬los e leões heráldicos.

A moeda pesa 90 g e mede 93 cm de diâmetro. O único exemplar conhecido encontra-se na Alemanha, no Museu Staatliche Kunstsammlungen Dresden. É peça rara e cobiçada pelos colecio¬nadores.

O estudo das moedas sempre exerceu em mim um enorme fascínio, mas nunca de uma perspectiva estritamente numismática.

Primeiro, foi como símbolo do poder de compra e mais tarde como um dos instrumentos que nos permitem conhecer a história dos povos sob um aspecto diferente das abordagens militares ou políticas com as quais geralmente é estudada. A moeda nasceu como tal no século VII a. C.

em Sardis, capital da Lídia na Ásia Menor. Os primeiros espécimes foram o electrum, algumas pepitas naturais de ouro e prata, encontrados nas areias dos rios. O rei Giges determinou que a cabeça de um leão fosse impressa sobre elas, o emblema da cidade, como um selo. No século VI a. C.

aparecem na mesma cidade, as primeiras moedas de ouro puro e prata. O rei Croesus, imensamente rico e inspirador do mito de Midas, o soberano que transformou tudo em ouro, fez imprimir seus símbolos reais no anverso delas: as cabeças de um leão e um touro.

Acredita-se que elas foram usadas, inicialmente, para pagar tropas mercenárias.

Mais tarde, o seu uso foi estendido, aceitando-o como meio de pagamento e, em breve, era encontrada em toda a bacia do Mediterrâneo, favorecendo grandemente as transações comerciais e, portanto, a produção de bens e a prestação de serviços.

Desde a sua criação, a moeda está inextricavelmente ligada à história das pessoas e evoluiu com elas. As sociedades são essencialmente organizações dinâmicas que se transformaram nos tempos e a moeda tem feito a mesma medida.

Escolhemos ilustrar as modificações monetárias, um exemplo válido na Península Ibérica ao longo de oito séculos: o maravedí. O nome vem da palavra muçulmana “morabite”, devotos a Deus, qualificação dada por Abd Allah-ben-Yasim aos Almoravids.

Foram eles que puseram em circulação o dinar de ouro conhecido como morabetín ou morabetino e aos quais os cristãos chamavam de maravedí.

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