Diário da Casa Arruinada

Por Tiago Feijó

Sobre o livro

Romance finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2018, com forte cenário psicológico, a casa como velório, local da derrocada, do desmantelamento.

Em formato de diário – estruturado, portanto, de forma linear de tempo e espaço – o protagonista (Quim), um pretenso escritor frustrado, além de registrar dia a dia o desafio de largar o vício do cigarro, usa a escrita memorialista como instrumento de investigação para seus traumas, conduzindo a trama num desenrolar de lembranças permeado de linguagem poética e reflexões filosóficas.

Como neste trecho: “(…) descobri que o mundo é mesmo muito grande, mas que o homem é maior. E é tão grande o homem, que às vezes encontra dentro de si lugares que são só penumbras e perigos”.

Quim vive uma crise matrimonial que o abala tanto ou mais que a privação do cigarro: “Quero crer que escrevo para mim a minha própria vida, mas não estarei eu escrevendo para os outros a vida de outra pessoa?” Os meandros da convivência, os silêncios da vida conjugal, os fotogramas da derrocada e a perda do romantismo são elementos de identificação e que fazem deste livro um bom percurso sobre a natureza dos casais.

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