Denso: Pequenas narrativas hostis

Por Francisco Martins Rameiro Júnior

Sobre o livro

Estranho, profundo, triste, cativante, de uma escrita rebuscada e mórbida o autor nos envolve de tal forma em suas crônicas e poemas, que nos vemos imersos em suas narrativas, tendo a real impressão de estarmos envoltos pela poesia de Augusto dos Anjos, por conta do tal o nível de profundidade e morbidez de sua escrita.

Em cada narrativa expõe as realidades, misturando-se, às vezes, como personagem; outras, como narrador, mostrando-nos, nos relacionamentos interpessoais, com a sociedade e/ou consigo mesmo, a verdadeira face do ser humano e suas diversas características seja na sensualidade de alguns poemas, nos sofrimentos psicológicos e/ou físicos de suas personagens, escancarando-as sem subterfúgios e sem pudor como realmente se comportam no dia a dia.

As paisagens e personagens descritas estão sempre envoltas de dualidades entre suas vontades e as realidades impostas, entre sonhos e possibilidades, entre o que vivem de verdade e os desejos de melhoria material, social, psicológico.

O autor usa, muitas vezes, de ocorrências comuns da sociedade (velórios, festas, encontros…), mostrando o que se passa nas mentes de cada personagem, escancarando a forma vil, estabelecendo críticas sarcásticas e a maioria de forma mordaz de nossa sociedade carente de melhores valores e que tenta, a qualquer custo, demonstrar polidez, por falsa que possa parecer, escondendo suas reais intenções.

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