Demanda por palavras de si mesmo

Por Felipe Moreno

Sobre o livro

Falar consigo mesmo pode ser um ato do pensamento prático realizado na primeira pessoa sobre si mesmo. E, se é uma maneira de falar consigo mesmo, o ato pode ser usado para avaliar criticamente o próprio comportamento ou para se encorajar ou aconselhar.

No caso desse texto quisemos evocar um pouco dessa energia de aparente opostos sobre o nosso personagem em terceira pessoa – Ele – pois este já vem se consagrando como nosso personagem principal em várias histórias.

Mas vamos pensar juntos: por trás de cada personagem, está o autor. Em diversas obras literárias, os personagens podem ser vistos como uma fotocópia do que o autor queria que o leitor entendesse.

Por exemplo, Joana D’Arc nasceu como um símbolo para os franceses que desejavam livrar o país da ameaça da Inglaterra. Concretamente, Joana representava a vitória da França contra a Inglaterra. Esse tipo de personagem é comum em obras históricas e literárias.

Mas e quando o personagem é o alter ego do autor? Alguém para o qual se transfere uma carga demonstrativa em um processo que enfatiza a responsabilidade do escritor?

Perguntas que não esperam por respostas, são sopros do homus sapiens que ventam aqui e ali.

Nem todos os livros que escrevemos em nossas mentes são criados unicamente para ter vida própria. Alguns são cópias exatas de nossas experiências, sentimentos e visões do mundo. É por isso que é tão difícil se imaginar narrando outra história, tornando muito atrativo focar na figura do ego transcendido por assim dizer.

A verdade é que a cada pequeno recorte de vida, antevisto na antecâmara da mente, pode ser tido como uma ilusão ótica por si única, numa espiral que quando distorcida por uma lente, pode perder o foco do que é único e se tornar dúbio.

Difícil cravar 100%, mas certo mesmo é que o fato de projetar a ilusão imaginativa que não raro alcança a verdadeira expressão da alma faz do criador um milagre.

Mas eu não sou um único milagre com toda a certeza; cada vida o é com seu próprio jeito de ver o mundo e interpretar as coisas.

O fato é que esses milagres nos fazem viver e se eternizam com o que somos. E a ilusão ótica ganha uma cor única por ser mais que somente uma fantasia da reflexão e das sensações.

Digo que este é meu momento, o instante em que se dá à luz um novo rebento, que decerto se converte numa sensacional experiência de realização.

Certamente não é nada soberbo ou pretensioso, apenas uma voz “camarada” que se moveu na direção de um alvo: revelar a grandeza da vida dada pelo Criador de todas as coisas.

Isso não tem preço (e nem cartão de crédito!). Tem apenas a vontade de expressar essa vida única com palavras. Esse é o intento deste Demanda por palavras de si mesmo.

Espero que agrade, mas, se isto não acontecer, não se chateie e pense na multiplicidade de atos artísticos que podem se distinguir uns dos outros de acordo com a personalidade literária de cada autor. Isto por si só tem cara de desculpa esfarrapada, mas no fundo é uma verdade. Quem não aprende com os outros não pode ser chamado de sábio; pior, pode ser tachado de egoísta!

Então, aproveite essa demanda por palavras de si mesmo e se coloque no lugar do outro! Eu, hein?

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