BRINCANTES DO BELO MONTE: Auto Circense

Por CLÁUDIO AGUIAR

Sobre o livro

DESCRIÇÃO DE BRINCANTES DO BELO MONTE, DE CLÁUDIO AGUIAR

O dramaturgo Cláudio Aguiar, em Brincantes do Belo Monte, recria um Auto Circense, verdadeiro espetáculo de raiz mambembe. Escrito em versos, ora livres, ora sob a medida da expressão dos chamados folhetos de cordel, Aguiar, na verdade, procura reviver, a partir das possibilidades cênicas, um tipo de espetáculo praticamente em desaparição.

Ao lado dessa preocupação formal, o autor aborda o assunto na perspectiva de um espetáculo de circo de ponta de rua, denominado “Brincantes do Belo Monte”, onde o topônimo geográfico “Belo Monte”, de fato, traz ao cenário a sugestão da região onde ocorreram os episódios trágicos de Canudos, movimento social liderado por Antônio Conselheiro na última década do século XIX nos sertões da Bahia.

Iniciando com as típicas variedades, o espetáculo, pouco a pouco, vai assumindo a narrativa que envolve o drama trágico de Canudos, inclusive, com a sinalização clara da presença dos militares em luta contra os jagunços do Conselheiro.

No drama, a vida do povoado de Canudos ganha força nos versos de Aguiar, quando os próprios moradores são levados à condição de combatentes e contadores da história, gerando a extraordinária resistência que culmina com o massacre imposto pela desproporcional força do Exército Brasileiro.

Nesse sentido, como salientou o professor Julio Peñate Rivero, da Universidade de Neuchâtel (Suíça), a propósito de Brincantes do Belo Monte: “Chama, ademais, a atenção a capacidade de condensação alcançada numa obra tão breve para sugerir, não apenas o ambiente histórico geral, mas, também, os precedentes diretos do massacre, a mentalidade dos jagunços, a transformação operada no protagonista principal, etc., tudo isso perfeitamente combinado com a vivacidade e a imediatidade da ação dramática”.

Por outro lado, o efeito buscado pelo Coro e também nas demais cenas, a rigor, atende ao uso de recurso cênico atribuído a Berthold Brecht, chamado de “distanciamento”.

Em Brincantes do Belo Monte, Aguiar recorreu a esse meio, porque, em verdade, o tema do drama apresentado requeria, sobretudo da parte do espectador, um distanciamento ou estranhamento. Canudos não foi o que muitos dizem ter sido.

Por isso, no Primeiro Ato aparece o Apresentador ou Narrador, isto é, aquele que anuncia e, ao mesmo tempo, participa dos fatos contados em maior ou menor grau.

Esse apelo traz para a narrativa o sentido épico, aliado, aqui, ao recurso poético, inclusive, no aspecto formal da expressão, ou seja, com os versos medidos sob o ritmo da oralidade nordestina, vez por outra, contados e rimados.

Baixe esta página em PDF para ler quando quiser, mesmo offline.

📄 Salvar PDF

Avaliações dos leitores

Descubra as opiniões de outros leitores, explore avaliações detalhadas e veja se este livro realmente vale a pena para você, com base em experiências reais de quem já leu e compartilhou sua visão sobre a obra.

⭐ Reviews dos leitores