BIOPOLÍTICA E NECROPOLÍTICA NOS PRESÍDIOS BRASILEIROS

Por Romualdo Flávio Dropa

Sobre o livro

SINOPSE O livro “Biopolítica e Necropolítica no Sistema Prisional Brasileiro” inicia-se descrevendo o cenário conturbado e desafiador do sistema prisional no Brasil, o qual detém a terceira maior população carcerária do mundo.

O texto destaca a expressiva expansão dessa população nas últimas décadas e sublinha os múltiplos problemas e violações aos direitos humanos que são recorrentes nas instituições prisionais brasileiras, como superlotação, insalubridade, violência e falta de assistência em diversas áreas.

A obra propõe uma análise crítica da situação carcerária no Brasil, utilizando como fundamentação teórica os conceitos de biopolítica e necropolítica, desenvolvidos por Michel Foucault e Achille Mbembe, respectivamente.

Estes conceitos ajudam a compreender de que forma o Estado exerce poder sobre a vida e a morte das populações, especialmente as mais vulneráveis e marginalizadas.

A biopolítica é entendida como a gestão da vida coletiva através de técnicas e dispositivos que buscam controlar, regular e otimizar os corpos e as condutas dos indivíduos, enquanto a necropolítica é compreendida como a produção da morte e o exercício do poder sobre aqueles considerados descartáveis pelo Estado.

Michel Foucault, com seu conceito de biopolítica, analisa como os Estados regulam as populações por meio da gestão da vida e da morte, enquanto Achille Mbembe, ao desenvolver a ideia de necropolítica, explora a subjugação de vidas a condições de existência que as aproximam da morte.

Ambos os conceitos são particularmente pertinentes para analisar o sistema prisional, um espaço onde o Estado exerce controle absoluto sobre os corpos e vidas dos encarcerados.

O sistema prisional brasileiro, como o livro sugere, se torna um palco de manifestação explícita de práticas biopolíticas e necropolíticas.

Os presídios são lugares onde vidas são tanto geridas quanto descartadas, com práticas e condições que levam a violações de direitos e, muitas vezes, à morte, seja ela simbólica ou física.

Essa morte pode ocorrer através da desumanização, da perda de direitos civis, ou, literalmente, pela violência e negligência em relação à vida dos encarcerados.

A obra desdobra esses conceitos teóricos na realidade específica dos presídios brasileiros, buscando não apenas ilustrar com exemplos práticos as teorias de Foucault e Mbembe, mas também para apontar caminhos possíveis para a resolução ou mitigação dos problemas identificados.

É essencial questionar como práticas de resistência, políticas públicas e reformas no sistema jurídico e carcerário poderiam atuar para transformar essa realidade e afastar-se das lógicas biopolítica e necropolítica que predominam no contexto atual.

Em suma, ao explorar o cenário do sistema prisional brasileiro através das lentes da biopolítica e necropolítica, o livro oferece uma perspectiva crítica e analítica sobre como o poder estatal é exercido sobre as vidas da população carcerária.

Essa análise permite não apenas uma compreensão aprofundada dos mecanismos de poder e controle em ação nos presídios, mas também propõe uma reflexão sobre como alterar essa realidade, buscando um futuro mais humano e justo para os indivíduos encarcerados no Brasil.

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