AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE ÁGUA: CASO DE ESTUDO A BARRAGEM DO ALTO MUDA
Por HORÁCIO VILANCULOSSobre o livro
O objetivo do trabalho foi avaliar a qualidade da água da barragem do Alto Muda para o consumo humano na vila municipal de Gondola.
O trabalho foi desenvolvido numa única campanha de coleta de amostras de água na barragem do Alto Muda localizada no bairro Francisco Manyanga, no mês de Outubro de 2018.
Analisou-se os parâmetros físicos-químicos e microbiologicos da água, com recurso a um condutivímetro, turbidímetro, espectrofotômetro, pHmetro, oxímetro, autoclave, e banho-maria, pertencentes ao laboratório de águas da FEARN, comparou-se os parâmetros analisados com a legislação moçambicana com base no Diploma Ministerial 180/2004 e com o guião de qualidade de água para o consumo humano da OMS, bem como a discussão comparativa dos resultados das análises de amostras de água.
Foi aplicado o método de NMP e a técnica de tubos múltiplos para os exames bacteriológicos, o método de leitura dos resultados das análises para os parâmetros físico-químicos.
As comunidades do bairro Francisco Manyanga e do Alto Muda poluem as águas da barragem com efluentes resultantes da mineração artesanal, falta de saneamento básico do meio daquele ecossistema, contaminando os corpos de água, factor que a torna imprópria para o consumo humano.
A fraca qualidade da água para o consumo humano, traz consequências negativas na saúde das populações, sobretudo da toxicidade e doenças de veiculação hídrica.
A avaliação da qualidade da água desta barragem é relevante uma vez que diversos fatores poderão em pouco tempo comprometer significativamente a qualidade da água que outrora era captada pelo FIPAG para o abastecimento.
Os resultados obtidos por meio das análises das amostras de água nos 04 (quatro) pontos de amostragem ao longo da barragem do Alto Muda, incluindo alguns parâmetros físico-químicos e microbiológicos a saber: temperatura da água, turbidez, condutividade elétrica, oxigênio dissolvido, pH, cloretos (Cl-), ferro (Fe2+) e coliformes termotolerantes, permitiram concluir que a água da barragem do Alto Muda de uma forma geral não pode ser considerada potável devido ao alto teor de turbidez, ferro e coliformes termotolerantes, encontrados quase em todos os pontos (P01, P02, P03 e P04) respectivamente.
Foram analisados 8 parâmetros, dos quais a turbidez com nível alto de 73,9 NTU no ponto P01, o ferro com teor alto de 0,64 mg/L no ponto P01 e os coliformes termotolerantes com 880,00 NMP/100ml no ponto P02, facto que se deve a acção antrópica acentuada nestes pontos como, o despejo de efluentes, contaminação por esgotos domésticos e material fecal.
O Diploma Ministerial 180/2004 do MISAU e o Guidelines for Drinking Water Quality, segundo a OMS (2004), recomendam limites máximo admissível para água do consumo humano até 5 NTU para a turbidez, 0,3 mg/L para o ferro (Fe2+) e 0 ausência de coliformes termotolerantes em NMP/100ml de água.
Os dois instrumentos de avaliação dos padrões de potabilidade da água para o consumo humano (Diploma 180/2004 do MISAU e o guião da OMS), não mencionam a temperatura e o oxigénio dissolvido como parâmetros que participam na qualificação da água potável, apesar da sua importância para um melhor ambiente aquático.
Palavras-Chave: Barragem do Alto Muda; água; avaliação; Qualidade; Humano.
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