Sobre o livro
A proposta da obra é dar continuidade ao primeiro volume, oferecendo referências não só válidas mas também reflexivas a respeito do antinatalismo, que se baseia na premissa de que atualmente há excesso de humanos na Terra, por isso humanos devem parar de procriar, já que seria injusto expor aqueles que estão para nascer as vicissitudes de uma vida humana.
Sim, há quem não queira ter filhos. Mas também há quem queira que ninguém tenha filhos. Antinatalistas se queixam também que o planeta está sobrecarregado e o ser humano deveria repensar o seu ímpeto ao procriar.
O antinatalismo é um movimento em franca metamorfose, pois talvez esteja deixando de ser uma posição filosófica que atribui valor negativo à procriação.
As discussões antinatalistas vão além: “O antinatalismo é ambientalista?”, “O antinatalismo é feminista?”, “Por que a eutanásia não é legal e acessível em todos os lugares?”, “As nações estariam ameaçadas se abraçassem a causa antinatalista? A humanidade deveria buscar a sua própria extinção?
Por que não deixamos de procriar em prol tanto da extinção das doenças pela manipulação genética como da busca da imortalidade pelo progresso científico e tecnológico?”.
Embora possa parecer que todo antinatalista é celibatário, pessimista e deprimido, o antinatalismo: não proíbe o sexo, desde que este seja seguro; valoriza o alegre convívio socioambiental, que respeita o meio ambiente; vê com otimismo a adoção de conhecimentos científicos e de tecnologias sustentáveis.
Nesse mesmo viés otimista, a historiadora e ativista estadunidense Rebecca Solnit vê o futuro com esperança, afirmando que o mundo pode ser “abundante” e “belo” em resposta à crise ambiental.
O livro adota um enfoque cético mas que é racional e positivo, que além de procurar manter a mente aberta, parte da premissa de que fazer o bem aos seres vivos, não lhes fazer o mal e não lhes prejudicar, depende também de não promovermos a dúvida e a incredulidade irracionais com propósitos gananciosos. Afinal, respeitar a dignidade do outro também é prezar a sua inteligência.
São propostas inúmeras questões, por exemplo:
– O legado da maioria das pessoas parece vir através dos filhos mas um antinatalista decide que não fará esse tipo de contribuição por razões filantrópicas ou misantrópicas.
Os argumentos filantrópicos dizem que a procriação é sempre inadmissível pelos danos causados aos indivíduos que são trazidos à existência e porque viver sempre leva ao sofrimento.
Os argumentos misantrópicos, por outro lado, sustentam que a procriação é geralmente inadmissível, considerando os danos que os indivíduos causarão uns aos outros, a outros animais e ao meio ambiente.
– O jornalista ambiental David Roberts observa que onde há preocupação com a superpopulação, muitas vezes também encontramos racismo, xenofobia ou apoio à eugenia. Roberts denunciou, por vezes, o ecofascismo que é uma ideologia que atribui o desaparecimento do meio ambiente à superpopulação, à imigração e ao excesso de industrialização, problemas que seus adeptos pensam que poderiam ser parcialmente remediados através de práticas desumanizantes.
– A migração de milhões de pessoas em função das mudanças climáticas e do deslocamento provocado por desastres tem o potencial de desafiar a governança de Estados e desencadear reações políticas em massa, incluindo o populismo, para além dos amplos custos sociais e econômicos. E está conectada com muitas outras, como a guerra russo-ucraniana, a persistente pandemia da Covid-19 e, obviamente, a emergência climática.
São reflexões como essas que vamos encontrar a cada página, que pretendem questionar as nossas convicções. O que se quer, é que pensemos por nós mesmos e não como o autor pensa. Trata-se de uma excelente oportunidade para exercitarmos a dúvida saudável, que leva ao esclarecimento daquilo que é potencial ou inegavelmente nocivo.
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