A voz que nunca esqueci

Por Adriana Possa

Sobre o livro

Bethânia não teve uma vida fácil, criada em um lar conturbado com um padrasto abusivo, precisou desde cedo aprender a se defender, sua mãe era cega para o que acontecia à sua volta, para ela o marido era a melhor pessoa do mundo, o pai a quem Bethânia amava profundamente mesmo sem ter muitas lembranças, havia morrido a muitos anos quando ela ainda tinha seus três anos de idade, mal se lembrava da fisionomia do pai, só não o esqueceu totalmente porque tem uma foto dele guardada junto com suas coisas, bem guardada mesmo.

Terminou o ensino médio mas não conseguiu ir para faculdade o padrasto falava que era perca de tempo e dinheiro, então começou a trabalhar em uma loja de roupas e guardar seu dinheiro para que em um futuro próximo pudesse ir embora, sentia por deixar sua mãe, mas como dizem o pior cego é aquele que não quer ver!

Assim, aos vinte e cinco anos ela partiu para a capital goiana deixando para trás uma vida de privação, sem saber que ali se encontraria!

Daniel sempre foi muito responsável, sabia o valor de cada centavo conquistado com suor, um fazendeiro de sucesso que começou a sua trajetória com uma porquinha que ganhou de um vizinho quando era molecote ainda, esse presente mudou toda a sua vida e o transformou no homem de sucesso que é hoje, seus pais nunca tiveram estudo, viviam da agricultura familiar desde sempre, dinheiro contado, sua mãe fazendo serviço pesado, serviço de homem, ele prometeu que seus pais nunca mais iriam precisar trabalhar tanto de sol a sol, ele trabalharia e daria a vida que eles mereciam e assim ele fez, uma porquinha, virou uma novilha, que virou um rebanho pequeno, que virou uma grande fazenda, hoje aos trinta anos se considera feliz sendo um dos maiores fazendeiros do Estado de Goiás, respeitado e temido porque nunca levou desaforo para casa, se lhe falta algo?

Talvez alguém que o ame pelo que ele é e não pelo que tem, o dinheiro tem isso sempre atrai pessoas oportunistas, ele evitava vida social, tinha seus casos esporádicos era homem e sempre gostou de sexo, um bom sexo, mas nunca teve um relacionamento sério, nem ao menos sentiu seu coração batendo forte por alguém, não até aquele dia, naquele barzinho de cidade do interior, aqueles olhos, aquela voz, seu coração sentiu algo, seus olhos se conectaram, um sentimento novo, seria ali que ele encontraria o amor?

Naquele olhar, naquela voz, naquele sorriso?

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