A Quarta Dimensão

Por Sérgio Ciríaco de Freitas

Sobre o livro

A Quarta Dimensão

Tudo começou numa tarde comum de sábado, dessas em que o sol se esconde entre nuvens preguiçosas e o vento parece querer contar segredos. O grupo de amigos — Lara, Caio, Helena, Ícaro e Davi — tinha o hábito de explorar trilhas pouco conhecidas na cidade. Era o escape perfeito para quem passava a semana inteira afogado em aulas, estágios e responsabilidades demais.

Naquele dia, porém, o destino parecia ter preparado algo diferente.

Eles caminharam por uma trilha nova, indicada por um senhor misterioso que encontraram na entrada da mata. “Vão por ali… mas vão juntos”, ele disse, com um olhar profundo que os deixou sem resposta. O velho sumiu antes que pudessem perguntar qualquer coisa.

Intrigados, seguiram.

A trilha estreitou, a mata escureceu, e um silêncio quase irreal tomou conta do lugar. Foi Caio quem percebeu:

— Vocês estão sentindo isso? — perguntou, parando de súbito. — O quê? — indagou Helena. — É como se… tudo estivesse vibrando.

Antes que alguém respondesse, uma claridade azulada surgiu entre as árvores, pulsando como um coração vivo.

Lara deu dois passos à frente, fascinada. — Parece… um portal — murmurou.

E era. Uma forma oval, luminosa, tremulando como água. A luz parecia chamá-los, mas não de maneira ameaçadora — era como se reconhecesse algo neles.

Davi, o mais cético, aproximou-se devagar. — Deve ser algum tipo de holograma… ou truque tecnológico. Não entrem. — Acho que não temos escolha — respondeu Ícaro. — Está reagindo à gente.

A luz ficou mais forte quando eles se juntaram. Mas, quando Davi se afastou, escureceu de leve.

— Vocês viram isso? — Helena arregalou os olhos. — Ele… só funciona com a gente junto.

Os cinco se olharam, divididos entre medo e curiosidade.

— A gente vai? — Lara perguntou, com a respiração curta. — É claro que vamos — disse Caio, sorrindo de nervoso. — Se isso for uma loucura, pelo menos vamos juntos.

E assim, de mãos dadas, atravessaram a luz.

Do outro lado, não havia escuridão — nem floresta. Havia um mundo impossível.

Estruturas flutuavam no horizonte, feitas de um material transparente que parecia cristal e luz ao mesmo tempo. O céu tinha duas tonalidades: azul profundo acima, violeta suave mais perto do horizonte. Caminhos se moviam sozinhos, ajustando-se aos pés de quem caminhava. Equipamentos voavam devagar, emitindo sons harmoniosos, como se o próprio ar cantasse.

— Meu Deus… — Helena levou a mão à boca. — Isso é real? — Davi tocou no chão, que parecia vibrar com vida própria. — É mais do que real — disse Ícaro. — É como se fosse… o futuro.

Tudo ali respondia não ao toque, mas à intenção. Quando Caio levantou a mão, uma esfera luminosa aproximou-se dele. Ao pensar em se afastar, a esfera recuou suavemente.

— Ela lê meus pensamentos… — sussurrou Caio.

Lara se aproximou de uma estrutura e, ao imaginar o objeto abrindo, ele se abriu, revelando engrenagens que mais pareciam fios de luz líquida.

— É tudo… vivo — concluiu Helena.

Quanto mais exploravam, mais claro ficava: aquela dimensão estava milhares de anos à frente da Terra. Não apenas em tecnologia, mas em consciência. Ali, nada era forçado. Tudo era fluido, intuitivo, conectado.

E o mais estranho: cada um deles parecia entender instintivamente como tudo funcionava.

— Somos… compatíveis com isso — Davi admitiu, surpreso consigo mesmo. — Não só compatíveis — disse Lara. — Parece que fomos esperados.

Depois de horas — ou talvez dias, era difícil saber —, uma espécie de plataforma se projetou do chão, formando um símbolo brilhante sob os pés deles. Uma energia suave percorreu o grupo, como se a dimensão sussurrasse diretamente para suas mentes.

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