A nota maior

Por Roger Dageerre

Sobre o livro

Era uma vez um moço seresteiro de nome Carlos que apreciava música antiga, e a sua namorada, de nome Sanara, que adorava música popular brasileira da atualidade. Ela recusava-se a ouvir qualquer tipo de melodia da velha guarda. Por isso eles nunca curtiam um som juntos.

Sanara era enfermeira e trabalhava no centro cirúrgico de um hospital público. Carlos era funcionário de uma empresa de gravação mecânica, mas era invocado por músicas sentimentais, principalmente as antigas.

Naquele dia, ele percebeu que a lua estava na fase quarto minguante, e começou a observá-la porque pretendia fazer uma serenata para Sanara, mas queria em uma noite de lua cheia.

E começou a fazer os cálculos, anotando as fases da lua e falando sozinho: “Depois do quarto minguante, vem a fase minguante côncavo. Em seguida, vem a lua nova. Depois, a crescente côncavo, quarto crescente, crescente convexo e, finalmente, a lua cheia”.

– E anotou o dia da lua cheia para se preparar com antecedência para fazer a tão desejada serenata.

Quando chegou o dia em que Carlos pretendia fazer a tocata, Sanara teve um dia difícil no hospital pois, quando terminou o seu plantão, teve que trabalhar mais doze horas – a funcionária que deveria começar as sete só pôde receber o plantão à noite porque faleceu uma pessoa da família.

Por isso, Sanara chegou exausta e procurou dormir logo para descansar o mais rápido possível. Carlos não ficou sabendo do ocorrido e esperou o horário de meia-noite para iniciar a serenata.

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