Sobre o livro
Praxedes escolheu o próprio nome para fugir da sina dos homens de sua família. Registrado no cartório pelo pai após uma noitada com prostitutas, carrega na certidão o quase-palavrão Alcides Barbosa, mistura irônica entre os nomes do atacante uruguaio Alcides Ghiggia e do goleiro brasileiro Barbosa.
Nascido no instante do segundo gol uruguaio que decretou a derrota do Brasil na Copa de 1950, atravessou a infância com o passo manco deum filho da tragédia.
Tentandodespistar a herança destinada a ele por seu pai, o bêbado Pau D`água, o jovem se transfere de uma cidade do interior para o Rio de Janeiro e, apesar de odiar o futebol, torna-se funcionário do Jornal dos Sports.
Em meio à escrita de crônicas parcialmente roubadas, deixadas de propósito na lixeira por Nelson Rodrigues, à paixão por uma comunista que frequentava a geral do Maracanã e aos terrores do AI-5 durante a ditadura militar, Praxedes vai se dando conta de que nem todo espólio pode ser recusado.
Precisando enxergar a vida em perspectiva e registrar os relevos de seu destino trágico, ele procura um biógrafo para contar sua história e, quem sabe, a partir da edificação delas, perceber que certas histórias não se encerram com o ponto final.
Ao leitor, resta escolher seguir vivendo sem entender tudo ou voltar à primeira página.
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