Sobre o livro
Nota do Autor
A água é frequentemente associada à purificação, ao recomeço, à ideia de que aquilo que foi levado já não pertence ao mesmo estado anterior. Crescemos ouvindo que rios seguem seu curso, que o tempo passa, que certas experiências ficam para trás. No entanto, nem tudo que atravessa a corrente retorna ao mesmo lugar dentro de nós.
Este livro nasceu de uma pergunta simples e inquietante: o que realmente significa sair da água? Em que momento uma travessia termina? E quem decide se ela terminou?
A floresta, o rio, a margem — mais do que espaços físicos — são territórios de percepção. Interessa-me menos o evento do que o intervalo; menos o fato do que a forma como ele é reconstruído. A memória humana é um mecanismo de organização constante, e às vezes é justamente essa organização que nos afasta do que de fato ocorreu.
A Margem não pretende oferecer respostas definitivas. Ela existe na fronteira entre experiência e interpretação, entre o que foi visto e o que foi compreendido. Se há silêncio nas páginas finais, ele não é ausência — é espaço.
Porque algumas histórias não terminam quando acreditamos que terminaram.
Elas apenas mudam de lugar.
— Weliton Montanari
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