Sobre o livro
Estamos nos princípios do mês de fevereiro de 2024. Agora surge, da lavra de Humberto Henriques, mais uma associação do visual com a poesia em palavras condensadas. Aqui nesses poemas, o detalhe mais chamativo e espetacular, acaba sendo mesmo o ritmo de condensação que o autor impõe à sua criação.
Nem uma única palavra se perde e, tampouco, nenhuma é demasiada na elaboração do texto lírico. Esse lirismo em Henriques não pode ser traduzido ou interpretado ao pé da letra.
Quando se fala em lirismo, somente porque estaríamos a impulsionar a escrita em direção ao verso da mais pura tonalidade que se possa imaginar. Cremos que esse compêndio, A Magna Ceia, é uma extensão do livro anterior, Santíssima Ceia.
O primeiro trata do aspecto sacro do Última Ceia de Cristo e dos seus Apóstolos. Busca apresentar em maneira poética os fatores agregados desse tempo e sua manifestação histórica e religiosa.
Quando muito se perscruta diante desse livro, a impressão que se tem é que a Ceia que se faz é apenas mais uma manifestação de comedor doméstico simples que existe em qualquer casa de sentimento ibérico. Portanto, não se trata apenas de uma Ceia tomada como flash no Tabernáculo.
É uma manifestação muito mais ampla e que busca atingir todos os homens vivos de uma maneira generalizada. Esse deve ser um livro de caráter universal.
A busca que se faz no texto e que sugere que sejam atingidos todos os homens vivos, termina, ao fim e ao cabo, por deixar uma entrevista clara com a Poesia. Não se trata aqui de um fenômeno descritivo da Santa Ceia.
Pelo contrário, nesse livro o que se vê é o conluio sem parcimônias da poesia com a arte de poder se contemplar todas as nuances de um mundo que foi construído a partir do Tabernáculo e que jamais pode ser desvinculado do progresso da humanidade.
Humberto Henriques sempre tratou dos temas profanos em sua obra. Mesmo a sua prosa era carregada desses elementos, embora muitas vezes usasse de certa ironia ao laborar dentro dos temas clássicos da religiosidade e seus cultos divinos.
Com a evolução da sua escrita e estando o mundo diante de várias dificuldades, guerras e cabotinagem, desonestidade e injustiça de todo naipe, a desorganização da sociedade como um todo e a exploração humana dos valores éticos em orais, chegando a ser sufocado o plano elementar da complexidade e individualidade dos homens, diante disso, pode ser que o escritor tenha se contemplado no desejo de escrever e elaborar visuais que nos remetessem a um mundo de questionamentos.
Assim deve ter surgido a ideia de deixar sobre o papel os desenhos e os poemas de Santíssima Ceia. Esse livro se comemora pela beleza de seu ideal e pela sentença sempre vigente na busca da evolução poética.
Evolução poética, a busca reiterada do autor, como ele mesmo aprecia sentenciar ao longo de suas conversas. Não cremos que o que ocorreu dentro da criação de Henriques tenha algum paralelo com a obra de T. S. Eliot. Diretamente nada que ver uma coisa e outra.
O escritor de língua inglesa se manifestação através da conversão pura e simples aos atos de fé. Para Henriques, salvo engano, o tema que já vem um tanto quando retardado, a busca por mais uma conjuntura que lhe faltava na obra anterior, mesmo que ampla e capaz de albergar qualquer tipo de assunto.
O reflexo da obra de Henriques se refere aos projetos de um mundo novo, aquele que se deslinda a partir da tecnologia que se prática em tempos hodiernos, desde os hologramas até as viagens interplanetárias e o conhecimento de que o homem nunca esteve só nesse Universo cheio de surpresas.
Sendo dessa maneira que se contempla Santíssima Ceia, surge logo em seguida, como se fosse um impulso de vácuo, A Ceia Magna, um livro que abre o leque do anterior e demonstra que a verdade der alguns acontecimentos deve mesmo obedecer à física quântica e tudo aquilo que esteve durante muitos anos sem compreensão para o
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