Sobre o livro
A brava e teimosa Clara Trovas descende de Eva Trovas, mulher metida com infusões e garrafadas que foi julgada e afogada viva por um tribunal do Santo Ofício nos confins do Brasil Colônia.
Em desobediência aos pais Nhô Nozinho e Nhora Leonina, a neta da bruxa abastece a mulherada da Campina – comunidade em que reside – também da Baixada – localidade mais abastada e onde fica a única capela da região.
São bebidas para todos os gostos: das úteis para conter um simples corrimento vaginal aos que evitam uma gravidez não desejada.
E eis que Eurico de Sá, reverendo ortodoxo, está por aquelas bandas com toda uma comitiva dedicada a minar a presença de satanás e restabelecer a fidelidade incondicional à igreja de Deus.
Ao se deparar com uma maldição real, o padre e seu séquito, enervados pelo patriarcalismo reinante, não a identificam. Já estão diante de uma bruxa real: Clara Torvas, por que viriam os sinais deixados por uma assombração?
Ignorada pela igreja, ela – a alma penada – desce pelas Gerais no período áureo de expansão do ciclo da mineração. Está em uma colheita de garotinhos, todos com idades em torno dos dez anos.
Dentre eles, Quincas, filho do tropeiro Tirão em uma jornada à famosa feira da Vila das Esmeraldas, permanentemente atormentado pela mulher sem olhos.
Romance, mistério, pitadas de alívio cômico se misturam em uma aventura sobrenatural marcada por intensos acontecimentos com uma paisagem histórica não menos interessante.
Zabala, Sara, Lúcio e Martim – adolescentes destemidos – se juntam às crianças Quincas, Ruiva, Ruivo, Vladimir, Silvestre e muitos outros em uma jornada contra a poderosa maldição de Juliana Bragantino.
O contagiante protagonismo infanto-juvenil, entretanto, não alivia o enredo: crueldade, machismo, autoritarismo, misoginia, libido feminina e desigualdade racial. No entanto, A Lenda da Alma Penada é ficção sem panfletagem.
Longe de qualquer didatismo ou doutrinação, são feitos mergulhos no mundo interno dos personagens por um narrador bisbilhoteiro e totalmente parcial na defesa do altruísmo e da justiça. A tônica engajada, passível de variadas reflexões, é, todavia, apenas o pano de fundo para a aventura.
Impossível o leitor não se encantar com personagens como Ruiva, Martim, Odorico, Josina, Salomão e tantos outros – secundários e indispensáveis. Aliás, a personagem realmente principal da narrativa é a morta: protagonista ou antagonista?
Há, no entanto, muitas outras mulheres igualmente fortes: Clara, Helena, Elisa, Ofélia, Leonarda Gaivota. Já os idosos Nhô Nozinho e Nhora Leonina costuram toda a base do fraterno clã dos Trovas.
Ressalte-se a poderosa relação de Menelau com seu filho adotivo: o negro Zabala e com o sobrinho Quincas – pequeno herói da aventura.
Salve esta página em PDF para ler quando quiser, mesmo offline.
📄 Baixar PDFAvaliações dos leitores
Descubra as opiniões de outros leitores, explore avaliações detalhadas e veja se este livro realmente vale a pena para você, com base em experiências reais de quem já leu e compartilhou sua visão sobre a obra.
⭐ Reviews dos leitoresAmostra Grátis do Livro
Faça a leitura online do livro A Lenda da Alma Penada (Assombrações Livro 1), escrito por Demerval Araújo Viana. Esse é um trecho gratuito disponibilizado pela Amazon, e não infringe os direitos do autor nem da editora.













